Bolívia - Dicas para quem pretende ir de trem...
Original a partir do link : http://www2.uol.com.br/mochilabrasil/
Bolívia: de Che Guevara a Pachamama
. Tudo lá é muito peculiar (exceto os carros japone e russos, e claro, Che Guevara): cores, gestos, ostos, sons, cheiros, imagens...
. Cordilheira dos Andes, llamas e alpacas, o Lago Titicaca, ruínas de civilizações pré-colombianas, Amazônia, calor e neve, misticismo, ricas cultura e história e civilizações indígenas não resumem o país que é um convite à aventura.
. A mais alta e isolada república da América Latina também é o país que tem o maior número de civilizações indígenas do continente americano, com a grande maioria da população mantendo os valores tradicionais e as crenças e todo o mistério que envolve as civilizações antigas.
Bolívia, caminho para Machu Picchu?
. Se você respondeu que sim, está redondamente enganado. Lindo e rico (cultural e historicamente), o país, além disso é bem acessível: 500 dólares para um viajante dá para conhecer toda a Bolívia, o que vira obrigação assim que colocar os pés além fronteira.
. Muitos viajantes brasileiros "passam" pela Bolívia rumo à Machu Picchu no Peru. Talvez por falta de informações o país acabe servindo apenas como caminho e não como o destino da viagem.
. Todo o fascínio em torno das antigas civilizações latino americanas parece se resumir às ruínas Incas no Peru, mas, o que pouca gente sabe é que existe na Bolívia, além de ruínas Incas, ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana, a Tihuanacota (1580 a.C 1172 d.C).
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Mochila Brasil /Silnei Laise |
. Todo trajeto dentro do país parece ser uma expedição Off-road e com uma dose maior de adrenalina: os ônibus velhos e pouco confortáveis passam por estradas beirando abismos, num espaço que parece ser estreito até para motos! Calma, a paisagem é o remédio se o veículo quebrar ou se alguém estiver horas e horas com o banco sobre suas pernas (coisas muito comuns). Llamas, picos nevados, montanhas, planícies e vales, construções em pedra, formações rochosas das mais variadas formas e cores, Cactos, Ciprestes, Chorões, deserto de sal, minas de prata, flamingos...
. No entanto o país, um dos mais pobres da América do Sul não é só beleza. Nas cidades mais movimentadas como La Paz e Santa Cruz de la Sierra há muitas crianças e idosos pedindo esmolas, as ruas são verdadeiros camelódromos, o trânsito é desordenado (buzinar é a palavra de ordem) e o sistema é corruptível - nada que alguém de um país subdesenvolvido não conheça.
. A população, maioria pobre, corre de um lado a outro, carregando mil coisas do campo para a cidade e da cidade para o campo. As mulheres índias, conhecidas como "cholas", sempre com suas "mochilas" nas costas (trouxas chamadas Auayu), tranças e chapéu parecem ser as que mais trabalham e através dos trajes e gestos representam bem a cultura local. Se vir um dourado na boca são os dentes de ouro sorrindo pra você, um chapéu quase sobre a testa, cuidado, é melhor evitar conversa. Reserve um dinheirinho para fotos (os bolivianos, principalmente mulheres e crianças, cobram pelo "uso da imagem"), também seja esperto para tirá-las, eles são capazes de correr para fugir de um clique.
. As festas são religiosas ou políticas, comemorando-se uma batalha ou revolução ou um santo católico ou deus índio.
. Além da "conquista" espanhola, iniciada em 1531 sob o comando de Francisco Pizarro, o país sempre sofreu com as invasões; talvez a de maior conseqüência tenha sido a Guerra do Pacífico (1879-1884), quando a Bolívia perdeu para o Chile, 850 Km de sua costa (o Porto Antofagasta) ficando assim isolada.
. Notoriamente, a Bolívia foi palco de movimentos revolucionários que terminaram antes mesmo de deslanchar. A figura mais importante do país não é boliviana, mas está por todas as partes, em camisetas, bandeiras, pôsteres e em grafites (até em Tihuanaco): Ernesto Che Guevara, um argentino, ícone da revolução cubana.
. O solo que recebeu os pés de Che na América do Sul está na região de Vallegrande. Foram 11 os meses de luta de 38 combatentes contra todo o Exército boliviano apoiado pela CIA, para chegar ao fim da pretensa revolução na América Latina.
. Guevara foi preso e assassinado no povoado de La higuera, em 8 de outubro de 1967. Mais vivo do que há 35 anos, o guerrilheiro é responsável pela existência da região que é a "Meca" de cientistas, arqueólogos, antropólogos, historiadores e claro, mochileiros. O turismo local explora a "Ruta de Che" ("Rota de Che").
. Antes da empreitada do mitológico Che, a Bolívia já contava com o MNR (Movimento Nacional Revolucionário - 1951), que acaba em 1964, sendo implantado o Regime Ditatorial. Em 1982 surge o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária). Um ano depois há a abertura política do país.
. Hoje a Bolívia é o segundo maior exportador de cocaína depois da Colômbia. Sua economia gira em torno da agricultura, petróleo, comida e bebida, mineração e gás natural.
Quijarro: o "Trem da morte" e a cidade
. Depois de passar por muito verde e planícies no Brasil central e trocar o passo de Corumbá (MS) para a Bolívia, chega-se a um solo árido, de cambistas desesperados (com cara de boliviano e jeito de brasileiro) e nos vem a primeira impressão do país: tudo é negociável (fato reconfirmado várias vezes durante a viagem de 20 dias pelo país). Estamos em Arroyo Concepción, onde quem chega por Corumbá deve carimbar o passaporte dando entrada na Bolívia.
. Vá sem erros. Qualquer "falta de pingo no i" já é motivo para lhe arrancarem uns bolivianos ou reais (que têm algum valor pelo menos na cidade!). Nossa equipe (e mais um viajante brasileiro) estava com o comprovante nacional de vacina contra Febre amarela (papel branco) e embora a proteção seja a mesma, os hombres do turismo boliviano "sugeriram' que voltássemos à Corumbá para conseguirmos a carteira internacional (papel amarelo). Como incorruptíveis brasileiros dissemos ok (que exemplo hein!) Dez passos fora da sala do "bota defeito" vem o assistente pedindo US$ 10. Acabamos cumprindo a "diplomacia" e entramos na Bolívia por US$ 5 (cada). Resolvido o problema, seguimos em um táxi US$ 2,50.
. Não muito diferente que a periferia de São Paulo, o local ainda tem muito de Brasil: na TV, Rede Globo; o idioma, portunhol. A Bolívia só está na fisionomia das pessoas, nas empanadas e em outros pratos servidos nos simples (e nada limpos) bares e na movimentação do Exército (carros e soldados).
. Na vontade de sentir-se na Bolívia, o primeiro passo é sair daquele lugar, buscando pela passagem de trem rumo à Santa Cruz de la Sierra.
. Na estação (mais lotada que estádio de futebol em final de copa do mundo) logo alguém lhe oferece uma passagem de segunda mão, por "apenas" US$ 25 (o preço da 1ª classe na bilheteria é US$ 7). Reluta-se em pagar tal quantia, mas o local parece que já se organizou para fazer com que a compra no paralelo seja algo oficial. Há pessoas que trabalham com isso, ganhando mais de 150% sobre o produto. Na bilheteria só há passagens para três dias a frente, logo, são três dias em um dos hotéis de Quijarro. Esse ciclo é o que parece mover a economia do lugarejo.
. Um pouco apressados, pagamos US$ 20 por uma passagem para o dia seguinte à nossa chegada (claro, de segunda mão). A primeira noite em um hotel na Bolívia saiu por US$ 2, com direito à ventilador de teto e à ducha fria (ótimo, pois o calor era de 40ºC) em banheiro coletivo. Já o temeroso jantar custou menos de US$ 1: arroz, metade de uma banana frita, carne (frango, milanesa ou chuleta) tudo regado a muito óleo. Resumidamente, um prato ruim para o organismo, bom para a fome e aceitável para os olhos!
. Na manhã seguinte o déficit de atividades nos fez ir à Puerto Aguirre, a Zona Franca local. Há um shopping e um mercado que vende por atacado e varejo. O ar condicionado foi o melhor do passeio. O calor das 8h deveria estar por volta dos 45ºC. Detalhe, é possível chegar à pé no local (uns 5 minutos caminhando), mas se perguntar a algum morador, ele certamente irá lhe recomendar um táxi (deve ser para continuar o ciclo que movimenta a economia local).
O Trem da morte
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. Se estiver a fim de ser protagonista de um filme de suspense esqueça! O trem pode até surpreender, mas não assustar. São 18 horas de viagem em meio a áreas rurais da região. E em todo esse tempo ouvindo os vendedores em uníssono: "Limonada, limonada; café, café; soda, soda (refrigerantes); empanada, empanada...", espetinhos de frango, carne, peixe frito e mais uma infinidade de produtos incluindo os pratos feitos (PF).
. Podemos dizer que a maior diferença entre o "trem da morte" e um trem de subúrbio paulista é que no segundo, são vendidos produtos industrializados e os vendedores exploram mais o produto "vai refrigerante (falam o nome de todos) geladinho, um real..., só tem aqui" ou coisa do tipo. No trem boliviano só os refrigerantes, chocolates, balas, chicletes e papéis higiênicos não são caseiros.
. Além do comércio, o que pode surpreender alguns viajantes é o jeito dos bolivianos: incansáveis correm de vagão à vagão, sobem e descem nas paradas, gritam, se esbarram, quase sentam no seu colo... Outros fatos, são os homens da Polícia Nacional e/ou do Exército que circulam pelo trem e podem conferir sua passagem (sem problema se não estiver com seu nome) e a eventual falta de luz à noite (por isso não esqueça a lanterna e fique de olho na mochila).
. Se quiser um pouco mais de sossego na viagem, desembolse US$ 17 (na bilheteria, claro) e vá na categoria Pullman, onde não há acesso aos vendedores e os bancos são reclináveis (mas não se anime, não chegam a deitar). Se preferir economizar e já se integrar à Bolívia e tomar um "chá de fila" vá nos vagões das classes 1 (US$ 8) ou 2 (US$ 6). Essas classes não têm muita diferença entre si. Na primeira os bancos são para duas pessoas e em um 90º. Já na segunda os bancos também têm 90º podem ser para três pessoas e você corre o risco de viajar 18 horas de costas. Também há a opção extra, noturna que sai com apenas dois vagões, por US$ 35.
. O percurso Quijarro - Santa Cruz de la Sierra é um dos quatro trajetos feitos em trem no país (os demais são: Villazón - Uyuni; Uyuni - Oruro; Uyuni - Estação Avaroa). As outras ferrovias foram compradas pelos chilenos e estão desativadas
Santa Cruz de La Sierra: só de passagem!
. Ventos fortíssimos, calor, muito calor... movimento: essa é a primeira visão de Santa Cruz de la Sierra. A cidade é capital do departamento Santa Cruz, onde só 1/3 da região é montanhosa, o resto se estende sobre a planície amazônica.
. As proximidades do terminal rodoviário de Santa Cruz de la Sierra são cheia de transeuntes, carros e camelôs; não tem muitos atrativos, mas dali partem ônibus para todos os lugares da Bolívia e até para o Brasil (São Paulo).
. Nossa equipe apenas passou pela cidade, mas pode destacar atrativos da região (Departamento de Santa Cruz):
Samaipata - onde morreu Ernesto Che Guevara. O local de exuberante natureza, tem um museu arqueológico e o turismo explora a "Rota de Che". (Leia reportagem da revista Veja, publicada em 1997, para saber um pouco mais sobre a cidade e o mitológico Che).
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Parque Arenal - reservatório de águas fluviais na cidade, tem uma pequena lagoa e ilha. O mural de Lorgio Vaca destaca-se no local.
Zoológico municipal - abriga fauna típica da região.
Cabanas do Piraí - ficam a oeste da cidade, no final da avenida Roca Coronado. Lá é possível saborear pratos típicos, próximo ao rio Piraí, local preferido dos cruceños nos calorosos dias de verão (quando a temperatura chega muitas vezes a 40ºC).
Lomas de Arena en el Palmar (Encostas de areia no Palmar) - produto da erosão sobre sedimentos arenosos, mas sólidas, segundo estudos feitos na região.
Rio Yapacani - praias fluviais de areia branca formadas pelo rio Yapacani. De águas mansas, ele oferece possibilidades de pesca e navegação. Fica a 120 Km da cidade, rumo ao norte.
La Chiquitanía - nas províncias de Ñuflo de Chávez, Velasco y Chiquitos, há templos das missões jesuíticas construídos pelos nativos. Dentre os templos há: San Javier, Concepción, San Ignacio de Velasco, Santa Ana, San Miguel, San Rafael e o Templo do povoado de San José, construído totalmente em pedra.
A natureza e o aspecto rural do departamento de Santa Cruz pode ser observado durante o trajeto de Puerto Quijarro à cidade de Santa Cruz de la Sierra. (Leia - "Quijarro: o Trem da morte e a cidade).
Cochabamba: integração nacional
. Cochabamba, capital do departamento homônimo, tem posição estratégica.O departamento é o centro articulador da Bolívia, pois permite a movimentação do produto nacional através de suas estradas, sendo uma região de integração. O local tem diversa produção agropecuária.
. Bem mais fria que Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba tem lindas montanhas e vegetação e da cidade partem ônibus para diversos pontos do país.
Nossa equipe apenas passou pela cidade mas pode destacar:
Cristo de la Concórdia - é possível avistar o "cristo-índio" de longe, em cima do monte San Pedro (256 m de altura). A escultura de mais de 40 metros foi esculpida por um artista cochabambino, César Terrazas Pardo. Segundo os locais, o Cristo é o mais alto do mundo. No alto, é possível chegar a pé por escadas, em microônibus ou pelo teleférico (o primeiro do país). Do Cristo se tem uma visão panorâmica da cidade e do vale central, onde há uma bela lagoa, com ciclovia (que une o leste e o norte da cidade. A via começa nas avenidas Gabriel René Moreno e Simón López e termina aos pés do Cristo).
Paseo de la Alameda - localizado ao norte do centro da cidade o local lembra os bulevares parisienses. Há vários quiosques vendendo todo tipo de produto e frutas.
Colina de San Sebastián - localizada ao sul, o local abriga monumento às Heroínas de la Coronilla, homenagem ao movimento pró-independência de 27 de maio de 1812. Heroínas? Sim! As valentes mulheres saíram repelindo a invasão espanhola. Merece destaque, Manuela Gandarillas, que mesmo estando cega, comandou o regimento civil feminino.
. Já os arredores de Cochabamba se dividem em : Vale e Zona Tropical. Ambas as regiões têm vários atrativos, de banhos termais a sítios arqueológicos, passando por fazendas, museus, cascatas, cavernas, usinas e belos bosques.
La Paz? Nem tanto!
. A maioria dos visitantes chegam a La Paz (3600 m) pela planície de El Alto, dela é possível avistar o profundo cânion que abriga a mais importante cidade boliviana e o nevado Illimani (6400 m). A paisagem é fascinante. Parece que chegamos a uma lua habitada por terráqueos e arquitetos "doidos" (tudo é meio rústico e apinhado).
. Paz? Nem tanto! Agora é que dá pra sentir o soroche (mal da altitude): falta ar, há leves tonturas e enjôo, além disso o trânsito local é bastante confuso e como em toda "cidade grande" há pedintes e correria por todos os lados.
. A cidade tem atrações para todos os gostos, de artigos esotéricos a museus, passando por pista de ski e locais para escalada. Para o pessoal atento à arquitetura, há grandes prédios antigos como os palácios do governo e do legislativo e a igreja de São Francisco construída no século XVII a mando dos espanhóis. Já em El Prado (avenidas 16 de julio e 6 de agosto) encontram-se construções modernas.
Museus
Há na cidade, pelo menos 11 museus:
Museu de instrumentos musicales - abriga instrumentos musicais antigos e atuais do folclore boliviano. Fica na rua Jaen e Indaburo.
Museu Nacional de Arqueologia - abriga relíquias arqueológicas de civilizações pré-colombianas. Fica na rua Tihuanaco, 93 (El Prado).
Museu Nacional de Arte - há mostras de arte colonial, moderna e contemporânea. Fica nas ruas Comercio e Socabaya, em um antigo palácio de 1775.
Museu de Etnografía e Folklore - exibe símbolos de grupos étnicos como os Chipayas e Ayoreos. Está instalado na antiga casa de um marquês (de Villaverde) e fica nas ruas Ingavi e Genaro Sanjinez. O prédio data de 1790.
Museu de la Coca - traz informações sobre a folha de coca, seus usos atuais e o milenar costume de mascá-la. Fica na rua Linares, 906.
Museu Costumbrista - ilustra os costumes locais. Fica na rua Jaen (uma viela colonial restaurada) juntamente com os Museus Litoral - exibe documentos e relíquias referentes a perda do mar boliviano; do Oro - apresenta valiosas peças pré-colombianas; e o Casa de Murillo (há exemplares de máscaras folclóricas).
Museu Tambo Quirquincho - está instalado na casa do cacique Kirkincha, um nativo, autoridade no período colonial. Há artesanatos, objetos em prata, máscaras etc. Fica nas ruas Evaristo Valle e Plaza Alonso de Mendoza.
A entrada nos museus varia de 0 (na faixa) à US$ 1,20.
Atividades outdoor
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. Se o seu negócio é mais aventura, ela lhe espera no Vale da lua. A 30 minutos de La Paz, rumo a Mallasa, há uma bela paisagem com grandes formações rochosas. No caminho se vê El Peñon e outras rochas "freqüentadas" por escaladores nos finais de semana. Para chegar ao local pegue o ônibus 11, 231 ou 273 à Mallasa, na rua México, na Plaza de los estudiantes, em La Paz.
. Um pouco mais longe (cerca de duas horas) há a mais alta pista de ski do mundo: 5500 m de altitude, Chacaltaya. Se for até lá, use agasalhos e óculos escuros. O equipamento pode ser alugado no local. Também há opções para trekking e montanhismo, só que a distâncias maiores.
Mercado e Miradores
. Nada "adrenalínica" mas também interessante pode ser a passagem pela Calle (rua) Jimenez, onde há o mercado de Los Brujos, onde se encontram pequenas peças em pedra representando a Pachamama (Madre Tierra ou Mãe Terra - se quiser adquirir uma é melhor fazê-lo em Tihuanaco), ervas medicinais, amuletos, afrodisíacos, fetos de llama e mil e um apetrechos para quem é chegado numa "mandinga".
. Se quiser ter uma visão geral de La Paz, existem dois mirantes ou como chamam, miradores. Vale a pena e o acesso é gratuito. Só que se for até um deles pensando em retratar parte do que viu, esqueça! É impossível colocar a cidade numa foto, tamanha sua peculiaridade, parece que ela não se deixa fotografar, mesmo por um bom fotógrafo. Uma filmadora pode ajudar melhor nessa tarefa, mas deixe-a preparada antes de chegar em La Paz, porque esse momento surpreendente não volta mais nem se você voltar um milhão de vezes ao local. Exagero? Claro que dos mirantes você conseguirá pegar uma cena e outra no seu quadro mas... o ângulo mais legal mesmo, só com os próprios olhos!
Hospedagem, Zona do Cemitério e MC Donald's
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Os preços dos hotéis em La Paz variam muito conforme sua localização e "constelação". Na bairro chamado Zona do Cemitério por exemplo, um hotel com banheiro privado do tipo três estrelas custou US$ 4 por pessoa, o preço de um número no MC Donald's local.
. Como bons ocidentais e sonhando com algo feito em série, fomos ao MC Donald's no bairro de El Prado. A diferença entre o fast food da Bolívia e do Brasil está na lingua: nada de Mc chiken o negócio na Bolívia é Mc pollo (frango em espanhol), frito em muito óleo, é claro!
. Da Zona do Cemitério partem vários ônibus para Tiquina, Copacabana, Tihuanaco etc, por isso e pelo fator economia optamos por nos hospedar nessa área. Apesar de não ter ocorrido nada conosco, nos alertaram sobre o perigo no bairro. O lugar é meio brasileiro. As ruas são cheias de bancas vendendo todo tipo de alimento, flores, folhas de coca e inúmeras quinquilharias, exceto abridores de lata, utensílio que tanto precisávamos. Procurar em um supermercado? Esqueça! Só vimos dois em toda a Bolívia e, por incrível que pareça, em Puerto Aguirre e Santa Cruz de la Sierra.
. A latinha de atum acabou sendo aberta com faca e em Campo Grande (MS)! Ele, mais dez pãezinhos (franceses, ufa!) salvaram nosso estômago nas 22 horas de Campo Grande à São Paulo, mas isso é uma outra história...
Se precisar em La Paz:
Polícia Turística - Endereço: Edifício Olímpia, 1314 - Plaza Tejada Sorzano - Miraflores, próximo ao estádio de futebol. Telefone: 225016.
Centro de Informação Turística da prefeitura: Final Paseo de El Prado. Telefone: 371044.
Rádio Patrulha - Telefone: 110.
Consulado do Brasil - Calle Capitan Ravelo, 2334.
Departamento de Migração - Avenida Camacho.
Obs: Da segunda quinzena de dezembro à segunda de janeiro, todos os órgãos públicos estão em férias, e diferentemente do Brasil que ao menos o vigia trabalha, na Bolívia todos param. Só os órgãos de segurança funcionam nesse período.
Tihuanaco abriga ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana
. Longe de ser uma aventura ou de ter um cenário estilo Indiana Jones, Tihuanaco atrai mochileiros de várias partes do mundo, por abrigar ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana, a Tihuanacota (1580 a.C 1172 d.C).
. O centro da cidade, se é que pode se chamar assim, tem alguns alojamentos/restaurantes, umas três mercearias, uma praça e uma igreja. O templo foi construído pelos espanhóis (1580) com materiais provenientes da destruição das obras incas. Hoje, o símbolo do domínio espanhol está abandonado.
. Caminhando, a uns 15 minutos do povoado, está a área arqueológica local (ruínas e um pequeno museu). A visitação pode ser feita das 9h às 17h, a entrada para estrangeiros custa US$ 3.
Monumentos
. Talvez o mais significativo seja o portal de pedra conhecido como La Puerta del Sol, nome dado por arqueólogos que viram na imagem central do monumento, um sol, a divindade mais importante entre os Incas; mesmo com a cultura Tihuanacota sendo anterior a dos Incas e "formalmente" não tendo o sol como deus principal.
. De acordo com uma artesã local, a fachada da "Porta do Sol" é composta pelas figuras do Guerreiro (homem de máscara), do deus Sol e do Mensageiro (homem com máscara de condor).
. A porta recebe várias interpretações, mas a mais aceita é de que se tratava de um calendário agrícola. A figura do sol ou "Viracocha" ou "El dios de los báculos" também está em outros objetos como monolitos, objetos feitos com ossos, tecidos, tábuas de madeira, pedras de oferendas entre outros.
. A maior escultura Tihuanacota encontrada até o momento, mede 7,30 m e ficou em La Paz, no bairro de Miraflores, em frente ao estádio Hernando Siles, juntamente com 50 outras esculturas originais da cultura de Tihuanaco, fazendo do local um museu ao ar livre. Hoje a relíquia partiu de volta para Tihuanaco, como medida de preservação. O monolito Bennett tem esse nome desde 1932, quando o arqueólogo Wendell C. Bennett fez algumas escavações em um pavilhão semi-subterrâneo de Tihuanaco e encontrou várias peças de grande valor histórico.
. O pavilhão foi escavado em 1960 e restaurado quatro anos mais tarde. As paredes internas do local têm figuras de cabeças humanas talhadas em pedra, representando provavelmente as "Cabezas trofeo"; cabeças cortadas dos inimigos e levadas ao templo como troféus. Já um aymará, morador da cidade e uma espécie de vigia da área, Roberto Chiquita, disse que as cabeças representam os diferentes idiomas, raças e animais conhecidos pelos Tihuanacotas.
. Outro ponto que merece destaque é o Palácio de Kalasasaya, obra feita em pedra em quase dois hectares. Por ser um edifício com orientação astronômica exata, em todos os 21 de março e 23 de setembro (equinócios) os primeiros raios do sol transpõem a porta de entrada passando pelo meio como uma precisão assombrosa.
. No centro do pátio do palácio há o chamado monolito Ponce; nome de outro arqueólogo que trabalhou no local, Carlos Ponce. Outros monumentos da área são o Kantatallita (vestígos de um templo subterrâneo com iconografias), o Putuni (edifício conhecido como Palácio dos Sarcófagos), Keri Kala, Puerta de la Luna, Akapana (pirâmide soterrada) e o Puma Punku.
. De acordo com o livro "Tercer Milenio, Pueblos del Passado", de Carmelo Corzón, por volta de 1100 a.C, Tihuanaco tinha 60 mil habitantes e cerca de 21 mil casas. Não tivemos acesso aos números de hoje.
. Atualmente a cidade parece estar passando por reformas: um novo prédio está sendo construído para abrigar a prefeitura e o calçamento de algumas ruas está sendo refeito.
Curioso, mas infeliz
. Fato curioso e infeliz é que toda casa deve ter uma peça arqueológica sem proteção. No alojamento onde passamos a noite, por exemplo, havia pedras retiradas das ruínas e alguns moradores nos ofereceram pequenos fósseis e cacos de cerâmicas encontrados nas escavações, que cessaram por falta de investimento.
. Todos os totens vistos no país estão sem nariz. Conforme informou um guia da cidade, todas as esculturas tinham narizes grandes e pontudos que funcionavam como relógios de sol - os espanhóis viram algo demoníaco na forma e os quebraram.
Copacabana, Titicaca e ilhas: encanto
. Copacabana, às margens do Lago Titicaca, é um centro de peregrinações desde os tempos pré-colombianos. O local foi fundado por Incas, mas existem vestígios de culturas mais antigas, como a Tihuanacota. Já a colonização espanhola se deu por volta de 1645.
. A península recebe muitos turistas e mochileiros e parece estar se adequando para melhor atendê-los, mas já oferece simples hotéis e restaurantes, tem lojas de artigos típicos e um mercado municipal.
. Das atrações "pós Colombo" destaca-se o Calvário (que permite vistas espetaculares do Titicaca e da cidade) e a Catedral Virgen de la Candelária. Das "pré Colombo", sobressaem-se interessantes sítios arqueológicos: Intikala (Tribunal del Inca), Horca del Inca e Kusijata (Baño del Inca).
. A Horca del Inca (Forca do Inca) por exemplo, "é um complexo observatório astronômico de grande valor para a agricultura", explicou Enrique Vargas Aguilar, médico e mestre em filosofia e ciência política, morador de La Paz que visitava o local. "O nome Forca do Inca, foi dado pelos espanhóis no intuito de fazer com que tivessem a imagem deturpada de que os Incas enforcavam seus súditos", acrescentou.
. Na opinião de Enrique, Copacabana condensa as culturas Inca, Aymara (Tihuanacota) e Espanhola, conseguindo preservar suas tradições mesmo passados mais de 500 anos de história.
. Para visitar os sítios, estrangeiros pagam US$ 1. Os hotéis na cidade têm preço variado; conseguimos um com banheiro coletivo por US$ 4 a diária por pessoa.
Lago Titicaca e ilhas
. Considerado o lago navegável mais alto do mundo (3810 m), o Lago Titicaca é um dos pontos mais bonitos do país e ao seu redor se assentaram as mais importantes culturas pré-colombianas. O estreito de Tiquina (travessia em lancha custa US$ 0,25 por pessoa) divide o lago em Lago Maior ou Chucuito, ao norte e Lago Menor ou Huiãnay Marka, ao sul; locais onde estão as ilhas do salgado, sagrado, imenso e profundamente azul Titicaca.
. No Lago Menor estão as ilhas Suriqui (há construções indígenas e embarcações de papiro) e Kala Uta (há várias casas e torres funerárias de pedra - Chullpares - atribuídas à cultura Aymará). Para chegar aos locais é preciso pegar uma lancha em Huatajata.
. No Lago Maior estão as ilhas do Sol e da Lua. O acesso a ambas é feito em lanchas que saem de Copacabana. É preciso estar atento aos horários (8h e 13:30h), se não, só pagando US$ 25 (negociáveis é claro) para um passeio privado. O coletivo sai por US$ 2 por pessoa.
. Do lago, rumo à Ilha do sol, já é possível avistar o Palácio dos Incas (construções em pedra), um dos oito sítios arqueológicos da ilha. O cenário é enigmático, de ocres muito intensas, das roupas dos nativos, do verde da ilha, de suas flores, do intenso azul do céu e do lago...
. Escadarias de pedras, a Fonte Sagrada dos Incas, trilhas leves, a montanha cheia de plantações e um perfume único, crianças levando llamas e alpacas para um passeio, crianças correndo em sua direção para vender-lhe um artesanato... realmente um lugar especial.
. Mas nem tudo é tão de outro mundo! Tirou fotos? No mínimo um boliviano (aceitam dólares também, real aqui não quer dizer nada além de realidade) ou um presentinho. Há pequenos bares onde servem refeições, lanches e bebidas, não podendo faltar um cartaz da Coca-Cola, claro! Existem também uma escola, alguns hotéis (vários em construção) e um pequeno museu.
. O museu na verdade é um cômodo que abriga alguns desenhos, crânios, cerâmicas e artesanatos das culturas Inca e Tihuanacota. Na parte externa há dois Pumas (felinos) e um canteirinho com flores e pedras.
. De acordo com Porfírio Quispe, quem nos apresentou o museu, o formato do lago lembra um Puma: "Titi, gato montês (já extinto); Caca, rocas (rochas)", comentou. Ele também nos explicou o significado das três saídas de água (cristalina) da Fonte Sagrada dos Incas (e dos Tihuanacotas, segundo ele): "Ama sua, ama llulla, ama kella", algo do tipo "Não minta, não roube, não seja frouxo"! Os dizeres são estampados em fitas vendidas na ilha.
. Quispe (homem que mexe com quartzos obtendo a energia do sol, em aymará) informou que no alto da ilha, numa cruz com várias pedras empilhadas está o centro energético local. Se traz algo positivo ou não, não deu para saber, mas a visão deste ponto é magnífica! Colocamos até uma pedrinha junto das demais.
. Ainda na Ilha do sol, há o Museu Subterrâneo de Ekako (200 metros quadrados abrigam a maior coleção de objetos arqueológicos e antropológicos da ilha) e as Terrazas de Pachamama (terraços incas com mais de 200 espécies de ervas medicinais e produtos agrícolas andinos). O acesso a esses lugares só é possível par clientes Transturin, uma operadora de turismo que explora o local. Até os antivos têm acesso restrito.
Estudiosos acreditam que o museu subterrâneo foi formado pelos espanhóis quando jogaram os símbolos incas no lago para substituí-los por peças espanholas, sobretudo católicas.
. A ilha tem bastante representatividade entre místicos esotéricos. De acordo com Enrique Vargas, a ilha e Copacabana são considerados dois dos mais importantes centros energéticos do continente americano.
. Mesmo próxima à Ilha do Sol, nossa equipe não pode ir à Ilha da Lua. Segundo Vargas, era nela onde as virgens ficavam isoladas até se casarem com importantes personalidades incas ou com capitães espanhóis que as comprassem.
Potosí: a cidade mais alta do mundo
. Na chegada ao terminal rodoviário da cidade mais alta do mundo a impressão não foi das melhores. À primeira vista Potosí tem ares de cidade interiorana e pobre, a rodoviária é suja e cheia e foi o local onde mais vimos bolivianos do "tipo esperto ou malandrão", além de sentirmos bem a escassez do ar.
. Depois desse momento achamos estranho o dito popular "Vale um Potosí", utilizado para referir-se a algo muito valioso. Chegamos à praça principal da cidade, onde nossa opinião começou a mudar. O local tranqüilo e limpo abriga uma grande quantidade de monumentos coloniais, incluindo igrejas do século XIX e vários museus. Dentre eles, merece destaque a Casa de la Moneda (Casa da moeda), considerado um dos museus mais interessantes da América do Sul, o local foi fundado em 1572 está muito bem conservado assim como o que exibe: arquivos coloniais, pinturas religiosas, máquinas de madeira usadas para cunhar as primeiras moedas bolivianas etc. O interior do museu é um pouco frio e a arquitetura um misto de belo e diferente. A entrada custa US$ 1,70 por pessoa, com direito a um guia que acompanha o número limitado de visitantes.
. Se quiser uma experiência mais emocionante, pode visitar algumas das minas de prata da cidade, onde será possível observar diferentes galerias e pátios onde trabalharam os primeiros escravos quechuas e onde ainda hoje alguns homens trabalham manualmente como na época colonial (1545); além de vivenciar os costumes e superstições dos mineradores como por exemplo observar e oferecer bebida, coca e cigarros à estátua do "Tio" (diablo, diabo), que para eles, é o dono da prata e quem lhes dá proteção no difícil e perigoso trabalho. O acesso às minas só é possível com uma operadora de turismo local (há várias perto da Plaza 10 de Noviembre). O roteiro básico inclui percorrer 2 quilômetros no interior da jazida e descer quatro níveis de 30 a 40 m de altura. O tour dura de quatro a cinco horas. Vá com sua pior roupa e leve alguns "agrados" aos mineradores como cigarros e folhas de coca.
. Além da aventura nas minas, é possível caminhar até os lagos (artificiais) da Cordilheira de Kari Kari (4800 m de altura). O trekking na região montanhosa pode durar de um a dois dias. Também há opções mais "tranqüilas" como à Laguna del Inca (Tarapaya) e banhos termais, em águas minerais que brotam da terra a uma temperatura que chega até 75ºC.
. Se não quiser contratar uma agência, para chegar a Kari Kari tome um táxi até a igreja San Martin, mais a frente há um desvio que leva até o local. Para a Laguna del Inca tome um microônibus para Tarapaya no mercado Chuquimia. Para chegar à lagoa, desça do ônibus na ponte e suba durante cerca de 20 minutos pelo caminho orientando-se pelo sulco deixado pela água. Há outros locais para banhos termais a 20 e 45 Km do centro da cidade, Don Diego e Chaqui, respectivamente. A 40 Km há outro local interessante, Betanzos, onde encontrará pinturas rupestres e a feira dos camponeses aos domingos.
. Depois disso, dá pra entender o "Vale um Potosí". A cidade foi declarada Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Uyuni: cidade oásis
. Depois de sete horas de viagem de Potosí a Uyuni é possível descobrir paisagens inigualáveis: pedras das mais variadas formas, cores, tamanhos e posições, animais como a llama, alpaca e até flamingos rosas, cactos, ciprestes, chorões, vários tons de verde, montanhas marrons, roxas, negras, caminhos tortuosos, rios secos (apesar da época de chuvas)... uma paisagem surreal!
. O ônibus solitário e a natureza. Uyuni? Disseram que em quatro horas chegaríamos. Naquele cenário parecia impossível haver pessoas, quem dirá uma cidade! Muita beleza, lama, passagens estreitas, abismos, curvas, deslizamentos, voltas, subidas e descidas. Três horas depois do previsto... Uyuni!
. A primeira impressão ao longe é que a idade realmente não existe. A uns olhos não tão míopes, a cidade seria uma faixa cinza no meio do nada. O local só não tem ares de cidade fantasma por conta dos muitos estrangeiros circulando e dos off-road das operadoras de turismo, é mais limpa que as demais visitadas por nós (sinal de que não tem ninguém! Mal educado, é claro), a maioria das casas e hotéis parecem ter passado por reformas e há poucos moradores transitando pelas ruas.
. Uyuni na verdade acabou se transformando em cidade de apoio para quem quer visitar o Salar de Uyuni (abundantes formações de sal e calcário, vestígios deixados ao evaporar-se um gigantesco e antigo mar interior que ocupou grande parte do Altiplano no passado geológico da região), a Isla del pescado (conhecida por seus cactos gigantes) e a região chamada Sud Lípez (que inclui gêiseres, vulcão, e as lindas Lagunas Verde e Colorada).
. A cidade também tem um museu de trens e um de arqueologia (uma pequena sala, onde estão expostos alguns cartazes). Se a entrada fosse franca até valeria uma passadinha rápida.
Salar e Sud Lípez
O Salar de Uyuni é o mais extenso do mundo: um enorme e lindo lago de sal a 3660 m de altitude. A imensidão salgada só é interrompida por algumas poças d'água e pequenas ilhas. A mais conhecida é a do Pescado. Pelo salar é possível ver alguns montes de sal que formam pirâmides. Lá também existe um hotel construído totalmente em sal, incluindo-se os móveis!
. Afastada, ao sul do salar, está uma das mais impressionantes paisagens. A região de Sud Lípez abriga rica fauna e lagos de cores profundas. Na Reserva Eduardo Avaroa (parque nacional) fica a Laguna Colorada, cuja cor se deve às algas que nele crescem. Os flamingos que ali vivem completam a beleza do local. Depois de passar pelo Salar de Challviri, perto da fronteira com o Chile, chega-se à Laguna Verde (esmeralda). Atrás do lago está o vulcão Lincancabur (5930m), imagens que jamais irá esquecer!
. Segundo Ciprián Nena, diretor de turismo de Uyuni, é possível visitar os locais independentemente, porém é necessário ter um veículo 4X4, dirigir muito bem nos piores terrenos e contratar um guia que conheça muito bem o local. O que obviamente não compensa o risco.
. Por isso recomendamos uma operadora (há pelo menos 20 em Uyuni e todas fazem os mesmos tours que saem por pessoa, US$ 20 - ao Salar e Isla del pescado e US$ 70 - 85 - Salar, Isla del pescado, Laguna Colorada, Laguna Verde; um dia e quatro dias, respectivamente). O contrato inclui veículo 4X4, guia/motorista, alimentação, alojamento. Com mais US$ 10 é possível ir à San Pedro de Atacama, no Chile.(Se quiser ir até o deserto chileno, não se esqueça de carimbar no passaporte, a saída da Bolívia em Uyuni).
. Atenção! De dezembro a março (época de chuvas) a inundação do salar e os péssimos caminhos dificultam a viagem. Leve agasalho, chapéu, óculos escuros e protetor solar.
Sucre: a verdadeira capital da Bolívia
. Fundada em 1538 com o nome de Vila da Prata, Sucre ou a "Cidade Branca", como também é conhecida é calma e limpa e foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O local é indicado para quem gosta de um roteiro bem histórico-cultural. Em Sucre há vários museus, igrejas e praças, alguns, marcos da história do país.
. Merecem destaque: o Mercado Central, com produtos de todos os gêneros, de sobremesas coloridas a cabritos em pêlo e com o pescoço cortado. Museu Casa de la libertad (um dos monumentos mais importantes da Bolívia. Na casa foi assinada a primeira ata da independência do país. Abriga relíquias históricas). Fica na Plaza 25 de mayo. Ingresso US$ 1,70. Na mesma praça estão os Museus de História Natural (minerais, fósseis etc), a Catedral Metropolitana (arte sacra, um dos mais importantes do país). Ingresso: US$ 0,90 e US$ 1,70, respectivamente e a Igreja de San Francisco, que conserva a histórica "Campana de la libertad" (Sino da liberdade) que chamou à revolução de 25 de maio de 1809.
, Museu Universitário Charcas (dois museus - um colonial e outro antropológico - arqueologia, folclore, costumes etc) - está em um prédio do século XVII, na rua Bolivar, 698. Ingresso: US$ 2,60.
. Há também os museus Textil ASUR, Convento de la Ricoleta, Convento de Santa Clara e Castelo de la Glorieta. O último pertenceu à família espanhola Argandoña, hoje é um liceu militar. Os atrativos são a arquitetura e o salão de quadros. Ingresso: US$ 1,20. De microônibus leva 15 minutos partindo da Plaza 25 de mayo (micro 4).
. Um pouco mais afastado da cidade há outros pontos interessantes como o Cal Orcko - maior área com vestígios de dinossauros que se conhece na América do sul. Há muitas pegadas procedentes de espécies de 65 a 85 milhões de anos atrás. As marcas estão conservadas em um canteiro da fábrica de cimento, Fancesa. É possível chegar perto do local em táxi ou microônibus (A na avenida Siles, atrás do mercado central), depois caminhe cerca de 30 minutos na estrada para Cochabamba até a fábrica.
. Las siete cascadas (8Km) - cascatas de água cristalina; Potolo (60Km) - onde há os famosos tecidos Jalq'a; Quila Quila (40Km) - terraços pré-colombianos; Humaca (60 Km) - vestígios de dinossauros; Maragua (48 Km) - zona de interesse geológico; Chataquila (30 Km) - pinturas rupestres e caminho pré-colombiano; Talula (50Km) - banhos termais no rio Pelcomayo; Patatoloyo (25 Km) mais 8 Km de caminhada - Capilla Sixtina de arte rupestre; Povoado de Tarabuco (60Km) - aos domingos realizam feiras tradicionais onde vendem vários tipos de artesanato incluindo roupas.
. Lembre-se que o tempo para percorrer tais distâncias (com relação ao centro de Sucre), podem variar muito devido às condições climáticas e das estradas (maioria de terra).
Informações gerais e dicas de "sobrevivência"!
Comida e bebida
. A comida boliviana é bastante simples e variada, apesar de quase todos os pratos e em todos os lugares, a refeição trazer frango (pollo dorado, por exemplo) e batatas (fritas ou cozidas). Existem também variantes como a milanesa (mais ovo do que carne) e a ranga (uma espécie de dobradinha super apimentada). Tudo tem muito óleo o que, segundo um médico local, é utilizado para minimizar os efeitos da altitude e do frio, mesmo que isso não os afete em nada.
. Detalhe interessante foi um prato que trazia picanha, em Uyuni: caldo de feijão (aliás, coisa difícil de encontrar na Bolívia), uma espiga de milho, uma coxa de frango e a dita picanha - uma carne cozida com osso! Por essa e por outras recomendamos que por mais comum que o nome do prato seja é melhor perguntar, se não aquele churrascão gostoso pode resultar num sopão insosso ou demasiadamente picante.
. Os sanduíches têm base de pão (é claro!) e ovo. Se não gosta do produto galináceo, peça sem. Os bolivianos pareciam achar estranho pedirmos o lanche sem ovo. Por exemplo, um sanduíche de queijo (estilo isopor) vem com ovo e dependendo da lanchonete, uma rodelinha de tomate (sem tempero).
,. Se gosta de um pão francês é melhor mudar o hábito. Só há uma espécie de pão chato tipo árabe (com sabor). Cuidado com alguns pães que dizem ter recheio de queijo - é uma água com amido de milho. Na primeira mordida é sujeira na certa e o negócio não é nada saboroso. Os pães também recebem diversos nomes, sendo impossível gravá-los. Um deles, o cuñape é semelhante a um pão de queijo.
. Será difícil encontrar produtos industrializados. Até os hambúrgueres (hamburguesas) são caseiros, como um bolinho de carne moída achatado.
. Se tiver curiosidade em experimentar carne de llama, pode ir preparado para comer algo que lembra carne de porco, vaca e peru misturados!
. O modo como são vendidos é o mais surpreendente. No Trem da morte por exemplo, os pratos são vendidos aos passageiros pela janela: um PF até com talheres de plástico. Isso que é drive thru! Além da janela, nos corredores, os bolivianos vendem de tudo, de empanadas a peixes fritos.
Cuidado com os picantes; eles fazem jus ao nome. É bom sempre ter uma bebida ao lado.
E por falar nelas...
. Essa realmente é para "sobreviver": chá de folha de coca. Esqueça a droga e o que ouviu falar sobre os efeitos. A folha de coca não tem nenhum efeito alucinógeno, tão pouco faz mal à saúde. Pelo contrário, alivia os eventuais transtornos gastrintestinais provocados pela altitude e além disso é utilizada pelos bolivianos para inibir a fome. Um exemplo pode ser os mineiros que têm longos dias de um árduo e perigoso trabalho nas minas de prata de Potosí.
. Tomamos e sentimos melhora nas tonturas, enjôo e frio, nada além! Também é possível mascar as folhas, o que causa um leve adormecimento na boca.
. Existe uma grande variedade de águas minerais no país: salgada (Vizcacha), doce, com sabor de limão, cidreira... com e sem gás. Preste atenção no rótulo ou ao pedir.
. As cervejas Paceña e Hiari (marcas locais) têm o sabor do malte mais forte, porém são um pouco "aguadas". Há diversos tipos de refrigerantes (também chamados de sodas), além dos existentes no Brasil. Exemplos: Mendocina (uma espécie de Pepsi), Salvetti (de cor rosa profundo, o refrigerante tem gosto de aspirina infantil).
Para um "lanchinho rápido" é fácil encontrar empanadas e salteñas, salgados parecidos com pastéis. (A primeira é frita, a segunda assada e recheada de legumes, sobretudo batatas apimentadas). Existem também os pastéis (deles) e as tortillas.
Remédios
Leve um kit Primeiros-socorros (gaze, algodão, band-aid, mercúrio, esparadrapo etc) e remédios para dores-de-cabeça, estômago, enjôos, enfim, os paliativos que tem costume de tomar. Em um outro país, os nomes fantasia são diferentes e os genéricos são difíceis de decorar. Agora se o negócio apertar, esteja onde estiver, é melhor buscar um médico.
Transporte
Antes de entrar em qualquer meio de transporte boliviano tenha muita paciência. Os atrasos são de no mínimo uma hora, há super-lotação, os veículos são velhos, mal conservados e podem dar problema a qualquer momento.
Não existem ônibus coletivos grandes como no Rio ou em São Paulo. O transporte é feito em vans, como lotações. Os ônibus maiores são Jardineiras (Dodge) ultra-coloridas.
Um meio legal é o táxi. Neles não há taxímetro e você pode negociar o preço do trajeto. Se não houver negociação, é porque há uma tarifa fixada de X bolivianos por passageiro (e não por corrida).
Dinheiro
Pechinchar! Você sairá da Bolívia um expert no assunto. Exemplo: uma lanterna de US$ 4 pode acabar saindo por US$ 2, com um pouco de "negociação".
Surpresas com relação a preços podem ser várias. Exemplo: uma passagem de Potosí para Uyuni na primeira consulta pode ser US$ 7, na segunda US$ 5. Só aceite o primeiro valor dito se vir ou sentir que aquele preço é tabelado.
Sempre confira o troco.
Nunca pergunte o preço de algo já com o dinheiro na mão. Um chocolate pode custar US$ 0,35, mas se você tiver com uma nota de US$ 1 na mão certamente esse será o custo.
Reserve trocados para usar os banheiros das rodoviárias e para entrar nos terminais rodoviários (mesmo que já tenha pago a passagem).
Obviamente você irá trocar real por dólar para a viagem. Não se preocupe com o câmbio, a cada passo você encontrará um cambista. Se isso não ocorrer, converse com algum comerciante para trocar as verdinhas por bolivianos.
Se precisar telefonar para o Brasil à cobrar ligue:
0800-00-55(mais o código da cidade e o número do telefone). Cuidado ao utilizar os cartões telefônicos nos telefones públicos bolivianos: antes mesmo de atenderem à sua chamada, as unidades do cartão vão caindo numa velocidade luz!
Segurança
A Bolívia não nos pareceu violenta com os visitantes. Pelo menos conosco e com outros viajantes que tivemos contato não houve sequer tentativa de roubo ou furto, mas também não é pra ficar dando sopa hein?! De olho na mochila e principalmente onde guarda dinheiro e documentos.
Internet
As cidades maiores como La Paz, Sucre e Potosí têm cyber-cafés funcionando. Em La Paz por exemplo o preço do acesso é de menos de US$ 1 por hora. A conexão é como as discadas no Brasil (você mesmo pode tirar suas conclusões da qualidade!).
Tempo de viagem de uma cidade a outra com base na rota Mochila Brasil. por pessoa, pagos pela equipe:
Ida
São Paulo (SP) à Corumbá (MS) - 22 horas em ônibus. R$ 88 (sem ar condicionado).
Arroyo Concepción (Bolívia - ponto final do ônibus brasileiro) à Puerto Quijarro - 5 minutos em táxi. US$ 2 (para três pessoas).
Puerto Quijarro à Santa Cruz de la Sierra - 19 horas em trem. (US$ 20).
Santa Cruz de la Sierra à Cochabamba - 18 horas em ônibus. (US$ 7).
Cochabamba à La Paz - 15 horas em ônibus. (US$ 6).
La Paz à Tihuanaco - 7 horas em van. (US$ 1,50).
Tihuanaco à La Paz - 7 horas em van. (US$ 1,50).
La Paz à Copacabana - 4:30 horas em ônibus. (Bs
Copacabana à Ilha do Sol - 1:30 hora em barco. (US$ 1,50).
Ilha do Sol à Copacabana - 1:30 hora em barco. (US$ 2,50).
Copacabana à La Paz- 4:30 em ônibus. (US$ 2,50).
La Paz à Potosí - 12 horas em ônibus. (Bs 30).
Potosí à Uyuni - 7 horas em ônibus. (Bs 40).
Volta
Uyuni à Potosí - 7 horas em ônibus.(US$ 7).
Potosí à Sucre - 4 horas em ônibus (US$ 2,50).
Sucre à Santa Cruz de la Sierra - 15 horas em ônibus (US$ 8).
Santa Cruz de la Sierra à Quijarro - 20 horas em trem (US$ 6 - 2ª classe)
Quijarro à Corumbá - 5 minutos em táxi (R$ 5 - duas pessoas).
Por não haver passagem de Corumbá à São Paulo na ocasião da volta de nossa equipe, fomos de Corumbá à Campo Grande - 2 horas em ônibus (R$ 34).
Campo Grande à São Paulo - 22 horas em ônibus (R$ 88).
Consulado do Brasil e departamento de imigração
Se estiver na Bolívia e precisar de ambos, é preciso ir à La Paz. O consulado do Brasil na Bolívia fica na calle (rua) Capitan Ravelo, 2334 e a migração na avenida Camacho.
Veja tambem a travessia a pé de Máximo Krausche do deserto do Atacama :
Atacama a pé - Após voltar de Machu Picchu, Maximo decidiu ir escalar sozinho o maior Vulcão do Mundo, o Ojos del Salado. Acabou sendo roubado e atravessou os 320 km do selvagem deserto do atacama a pé e com U$ 17,75, tendo que comer cactos e evaporar água de rios salgados. Já na base da montanha, foi preso por não ter a autorização para escalar, mas conseguiu chegar a 200 metros do cume do Incahuasi... Veja mais
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Nevado Illimani (6400 m)
Rua do centro de La Paz
