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Backup no rapel - Realizando a auto-segurança com nó autoblocante de forma correta.

por Davi Marski - Dezembro de 2008

Existem basicamente duas formas sobre como fazer o seu próprio backup durante o rapel. Uma delas envolve o "travamento" da corda acima do freio descensor (ATC, Oito, etc...) e outra envolve o travamento da corda abaixo do freio descensor.

Os sistemas que travam a corda por cima tem algumas pouquíssimas vantagens, e mundialmente é utilizado o travamento abaixo do freio, e inclusive o aparelho de segurança "automático" da Petzl, o Shunt funciona dessa forma.

backup abaixo

backup acima

 

http://en.petzl.com/petzl/SportProduits?Produit=116

A FEMERJ e a FEMESP, assim como diversas outras entidades (como a Aguiperj), recomendam o backup do rapel realizado com o travamento da corda abaixo do freio descensor.

Você pode usar qualquer nó autoblocante, eu particularmente prefiro o machard (ou prusik francês) pela facilidade de execução e destravamento.

E para isso, reproduzo o texto da Samanta Chu, publicado no site da Femesp:

http://www.femesp.org/seguranca.php?dica=200808


O uso de backup no rapel é uma prática altamente recomendada. Além de segurá-lo contra uma possível queda em caso de algum acidente ou imprevisto o backup também pode ajudá-lo a controlar a velocidade de sua descida (fazendo paradas) e permite que você tenha as mãos livres para organizar a corda ou algum equipamento durante a descida. Tenha em mente, contudo, que o backup não é um sistema infalível e pode se soltar eventualmente, portanto procure sempre manter uma das mãos na corda.

Como quase tudo na escalada há mais de uma técnica que pode ser utilizada para se fazer o backup e a técnica aqui apresentada é a que considero a mais fácil e prática, também sendo a mais rápida, dentro das diversas possibilidades. Esta técnica utiliza o prusik francês, que é facilmente confeccionado envolvendo-se a corda com um anel de cordim e clipando-se as duas extremidades, (foto 1) como nó blocante mas o prusik, nó mais conhecido e popular, também pode ser utilizado.

200808_01

O backup consiste em utilizar um nó blocante preso à corda além do freio de modo que o blocante prenda a corda quando tensionado, mas possa ser facilmente movido pela corda quando não tensionado.Para armar um backup você irá necessitar um anel de cordelete de 6-7mm pré-atado com 40-45cm de comprimento e um mosquetão, preferencialmente mosquetão com trava pequeno.

1 - clipe o mosquetão na alça de perna da cadeirinha.
2 - Faça um prusik ou um prusik francês na corda do rapel, certificando-se de que o cordim está justo e alinhado (foto 2).

200808_02

3 - Uma vez que o backup está preso à corda, você pode prender a corda ao freio e preparar-se para o rapel; o backup irá  suportar o peso da corda permitindo que você tenha as duas mãos livres facilitando a montagem do freio (foto 3).

200808_03

4 - Recolha a folga de corda e teste o sistema, transferindo o seu peso para primeiro para o freio e posteriormente para o backup.
5 - Certifique-se de que os mosquestões estão orientados corretamente e travados.
6 - Estando tudo certo, você está pronto para o rapel.
7 - Durante a descida sempre mantenha uma mão na corda, controlando a descida e sua outra mão sobre o blocante deslizando-o pela corda para evitar que ele trave (fotos 4 e 4a). O blocante não deve estar sendo tensionado durante o rapel, utilizado como 'redutor de velocidade'; ele apenas deve ser solicitado caso seja necessário.

200808_04200808_04a

7 - Para parar durante a descida permita que o cordim trave e certifique-se de que ele está posicionado corretamente antes de liberar a mão que controla o rapel da corda; para voltar ao rapel posicione a mão de controle na corda e com a outra mão alivie o backup, prosseguindo com sua descida.

Importante:
- Eleja um anel de cordim e um mosquetão como o seu 'kit de backup', evitando utiliza-los para outras finalidades.
- Certifique-se de que o cordim está no comprimento adequado, não muito comprido, e de que não há o risco de que ele encoste no aparelho que você utiliza como freio, o que pode fazer com que ele perca o efeito.
- Não utilize cordim de spectra, material que possui ponto de fusão extremamente baixo e pode derreter com o calor gerado pelo atrito.

Escale com segurança!

Para entender e compreender de forma integral como realizar esta auto-segurança utilizando o prusik francês, abaixo do freio, e preso na perneira da cadeirinha, confira o vídeo:

Entretanto.... colocar o nó auto-blocante na perneira não é uma unanimidade !

Por outro lado, o Rodrigo Chinaglia (do CUME / UFSCar de São Carlos, http://www.cume.org/backuprapel.asp ), enviou um email para a Petzl, questionando a forma como eles recomendam que seja realizado a auto-segurança durante o backup, utilizando-se apenas cordins, e a resposta do Eric Lescarcelle foi a de que eles condenam a forma de citada acima, sendo que na verdade, recomendam a forma abaixo :

 

Então resolvi fazer um rápido vídeo e mostrar a forma recomendada pela Petzl :

Os detalhes são :

  1. a solteira fica laçada, com um nó "boca-de-lobo" na parte superior e inferior da cadeirinha (e não no loop).
  2. a solteira possui um nó simples em sua metade.
  3. o freio fica preso na metade "de baixo" da solteira
  4. o nó auto-blocante utilizado é o nó de "marchard" ou nó de prusik francês (e não o nó de prusik normal )
  5. o nó auto-blocante fica preso com um mosquetão de trava no loop da cadeirinha (e não na perneira).

Enfim.... (o texto abaixo é o Rodrigo Chinaglia, citado acima, e exposto no link http://www.cume.org/backuprapel.asp )

A recomendação do fabricante para uso de seus produtos com determinadas técnicas realmente é um fator decisivo na hora de comprar um produto, pois se algo acontecer fora do esperado, como incidentes, ou até mesmo acidentes, eles se eximem da culpa pois orientaram para que seus produtos não fossem utilizados daquela forma.

Até que ponto é realmente importante seguir essa norma? Em ambiente profissional (de trabalho em altura/vertical) fica claro que a norma deve ser seguida sempre, sendo praticamente um respaldo legal para o caso de incidentes: Em caso de falha, ainda que o incidente não tenha relação direta com o ocorrido, já abre precedente para que se desconfie que algo pudesse estar sendo feito de forma inadequada.

Em tempo: esse tipo de trabalho exige segurança redobrada e não se pode vacilar com equipamentos, técnicas, e o mais importante: atenção, uma vez que a empresa pode receber processos milionários por pequenos acidentes ocorridos em suas dependencias.

Por isso ela paga tão caro para ter um serviço de qualidade, e, obviamente, respaldado pela norma. Hoje em dia as normas NBR existem para quase tudo: inclusive para trabalho em altura. Quando algo der errado, a primeira coisa que o juíz vai perguntar é se os procedimentos estavam de acordo com a norma, afinal, ele não é obrigado a conhecer todos os assuntos, entao ele recorre às NBR.

Em ambiente amador (leia-se: final de semana escalando com os amigos) seguir a norma é tão importante? Rapelar num ponto só, Top tope em duas costuras, solteira de corda dinâmica ligada à cadeirinha por volta do fiel, escalar sem capacete. Enfim, as vezes escalando em casa, depois de tantas e tantas vezes fazer aquela via, a gente se acomoda, pois fica conhecendo (ou achando que conhece) as proteções que estamos acostumados a usar.

A diferença, nesse caso, é que se acontecer algo com a gente, estamos ali porque quisemos. A escolha de subir uma via sem capacete, pular uma costura, armar top rope numa chapa só é nossa, assim como a culpa em caso de acidente. Seguir as normas nesse caso vai de cada um, e as ponderações sobre as consequências de seus atos, e de porque tê-los.

Da mesma forma que não se é obrigado a escalar usando corda num pico, muitas pessoas o fazem, temendo pela sua vida, como forma de segurança. Porque utilizar backup do rapel? Nunca se sabe se a corda vai escapar da sua mão enquanto se estiver rapelando. Muitas pessoas não o fazem por preguiça, ou por acharem desnecessário. Outras, no entanto desconhecem a técnica.

Pra quem pensa que nunca soltou a mao durante um rapel, fique esperto! Isso so acontece uma vez na vida! Muitos de nós estamos com a mania de usar backup do looping da cadeirinha. Pra que? A cadeirinha é nova, é importada, é de raipalon poli tri écs costurada a vacuo pelas fiandeiras do norte da finlandia. E assim era tambem o looping da ultima cadeirinha do escalador Todd Skinner. Pena que ele não chegou a utilizar as novas.

Que as técnicas de segurança devem ser seguidas, não resta dúvida, porém, quando há mais de uma para a mesma finalidade, qual escolher? Existem algumas maneiras de se fazer rapel autoseguro: Com o prusik acima do freio, que fica muito dificil soltar, e sobrecarrega o cordim com 100% do seu peso, colocar abaixo do freio, como na foto com o nó machard na perneira, subir o freio para que o backup fique no ponto de encordamento, enfim: Vale seguir a recomedação da petzl ou continuar utilizando o backup na perna, como temos feito há anos?

No site da UIAA, nosso órgão de representatividade maxima em nível mundial existem muitos artigos interessantissimos sobre temas como esses. Num deles, que fala sobre os perigos de se fazer segurança com o Oito, na página 7, parágrafo 2, há a recomendação de se evitar as "leg-loops", ou perneiras, para o backup do rapel. Confira o trecho :

rapel_uiaa

Contudo, o artigo é de 2000 e eu já "ouvi" dizer que após algumas rupturas em perneiras de cadeirinhas, os fabricantes como a PETZL colocaram um reforço na costura da perna, (por volta de 2004-05), porém não li em nenhum site confiável (quando mandei o email para a PETZL esperava que eles me dissessem algo sobre isso!)

Bem, o mais certo é continuar escalando, e para garantir que isso aconteça é melhor faze-lo da maneira mais segura possivel, seja com o backup na perna, no looping, nos dois pontos de encordamento e até mesmo com a seg de um parceiro no chão (que é o único método que pode te por em segurança no chão rapidamente em caso de algum incidente).

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Vale a pena ler (se você lê em inglês) o artigo :  Karabiner Breakings when Using a Figure-of-Eight

ou melhor ainda, leia toda a seção :  http://www.theuiaa.org/act_safety.html

Abraços e boas escaladas !

Davi Marski - Dezembro de 2008 (www.marski.org)

 

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Atualização em novembro de 2011:

O link http://alpineinstitute.blogspot.com/2011/06/problem-with-rappel-back-ups-off-modern.html  mostra um dos potenciais problemas em utilizar-se a perneira para prender o mosquetão do nó autoblocante.

E na lista de discussão da FEMERJ, o Ian Will colocou algumas considerações válidas:

Em relação a usar o prusik abaixo do freio, levanto os seguintes pontos fracos.

  1. A maioria que usa o prusik abaixo do freio não usa alongador (alguma fita) no sistema de freio. Assim, ficam com uma margem muito pequena de trabalho e a chance do prusik encostar no freio e correr lentamente existe. Devemos pensar que é uma técnica de backup e sendo assim, não podemos ignorar a possibilidade do escalador ficar desacordado por qualquer motivo.
  2. Não conheço equipamentos esportivos com conectores nas pernas. Ao usarmos qualquer equipamento de forma improvisada, estamos deixando o manual do equipamento de lado e tentando "melhorar" sua funcionabilidade. Em emergência somos pautados por protocolos e não podemos tomar medidas sem um embasamento legal... No meu entender, se acontecer qualquer problema com a cadeirinha e for comprovado que o escalador acidentado estava usando o prusik preso na perna, automaticamente cria uma margem para as partes interessadas dizerem que houve uso inadequado do equipamento...
  3. O prusik fora do olhal, permite que numa instalação errada do freio o escalador caia e fique de cabeça para baixo preso apenas por uma das pernas. Se instalasse no loop isto não aconteceria.
  4. Em cadeirinhas com fivela rápida, o prusik preso na perna pode encostar na fivela e levanta-la. Este movimento unido ao peso do escalador, faz com que a perna corra. Já fiz este teste... Sugiro que todos façam esse teste simples.
  5. Se o escalador não usar o nozinho no final da corda, vacilar e deixar a corda chegar ao fim no rapel, o prusik abaixo do freio não servirá como backup. Se estiver usando acima do freio, com uma solteira de 60cm (importante deixar menor que o braço esticado), a corda sairá do freio e este prusik irá travar sua queda.

Ao meu ver, o escalador deve saber qual o objetivo deste prusik, independente se é abaixo ou acima... Uso e entendo o prusik com backup de segurança e não como forma de dar uma paradinha pra fazer algo...

Quando preciso parar, faço o nó de mula. Então considero como uma segurança reserva e penso que a instalação acima do freio será mais confortável em caso de algum problema em que eu fique desacordado. E se o prusik acima do freio ficar travado, basta enrolar um pouco a corda na perna ou usar varias outras técnicas pra fazer um pedal e subir pra afrouxar o nó....

 

 

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