Eu ia escrever um post bem tranquilo e detalhado sobre o assunto… mas antes fui fuçar na internet e fiquei impressionado ao ver como existem publicacões, textos e posts de pessoas que pensam de forma muito semelhante a minha !

É bom saber que não estou ilhado…
Fiz minha vasectomia com cerca de 26 ou 27 anos, ou seja, a 10 anos atrás ! Foi um amigo quem fez… os cirurgiões que consultei não queriam fazer pois eu “poderia mudar de idéia”… Bom… o tempo passou, não mudei de idéia, pelo contrário, só tornei mais ferrenha e determinada a minha crença de que é melhor não ter filhos…
A lista é interminável, então vou compilar algumas das informações… links no final do texto.

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Eu não quero ter filhos. Nunca quis. Imagino que nunca vou querer. Quando digo isso, existem três reações de praxe.

Minha Crença Está Tão Certa Que É Impossível Que Não Seja Compartilhada por Todos!

A primeira é quando a pessoa sinceramente não acredita. Ela não consegue conceber que exista alguém que não quer ter filho. Em uma espécie que nunca chegou a nenhum consenso, ela considera que procriação é o único deles, que sua opinião é compartilhada acriticamente por toda a humanidade. E, consequentemente, que minha opinião é impossível. Se digo que não quero ter filhos, é porque gosto de ser do contra ou quero chamar atenção. Ninguém pode realmente não querer ter filhos!

São as mesmas pessoas que duvidaram que eu e a ex-esposa iríamos na Parada Gay ou que não acreditam que não vejo final de Copa do Mundo com Brasil em campo.

Sinceramente, não há arrogância maior do que considerar impossível que outras pessoas tenham opinião diferente da sua.

Se Você Não Quer Ter Filhos É Porque Odeia Crianças e Vai Pro Inferno!

A segunda reação é quando a pessoa já conclui de cara que eu não gosto de crianças.

Ora bolas, quem disse isso?

Adoro crianças.

Conviver com crianças faz bem pra saúde mental de qualquer um. Crianças são o que fazem a vida valer a pena. Sua energia nos energiza. Lidar com crianças nos faz sentir mais vivos, em contato com o nosso tempo, por dentro das gírias. Eles nos lembram quem somos, o que fomos e o que nos tornamos. Ao mesmo tempo em que sua vitalidade e juventude ressaltam o quanto estamos velhos, eles também nos rejuvenescem. É uma delícia.

Contato com crianças é algo tão fundamental que não entendo como fazem essas pessoas que nem têm filhos e nem trabalham com crianças. Meu deus, como teve ser terrível a vida de quem só tem contato com gente acima de 25 anos, chatas, previsíveis, conformistas, já meio mortas por dentro. Não gosto nem de imaginar.

Mas, por outro lado, quanta gente vocês conhecem que gosta de cachorro e não tem cachorro? Ter cachorro envolve uma série de responsabilidades que vão muito além de um simples gostar de cachorro. É um compromisso muito sério, um compromisso pra vida toda. Se é assim com cachorros, imagine com crianças.

Ao contrário da maioria dos pais, que se tornam completos imbecis quando falam dos próprios filhos, que acham que até o mais idiota é o próximo Einsten….

Não posso falar em nome de outras pessoas que não querem ter filhos. Realmente, não conheço muitas. Como sempre, falo apenas de mim, mas acredito que deve se aplicar a mais gente também.

Você Ainda Vai Mudar de Idéia e Concordar Comigo, Seu Idiota!

A terceira reação das pessoas quando digo que não quero ter filhos é uma variação da primeira. Acreditando ou não acreditando, elas acham que é tudo temporário. Quem sabe, daqui a pouco, eu não cresço e paro de ser do contra, não é?

Ou seja, minha opção de vida não é uma posição consciente de um adulto resposável: é uma fase. Besteira.

Finalmente, depois que falo tudo isso, sempre vem um estrupício, bate no meu ombro carinhosamente e diz, com o ar bonachão de uma cassandra que tudo sabe:

Pois guarde minhas palavras, Davi, você pode não querer agora mas daqui a pouco vai querer… Em dez anos, vou encontrá-lo cheio de filhos…

E eu, imperturbável, pergunto se ele tem vontade de comer merda.

Bem, continuo, bonachão e vaticínico, guarde minhas palavras, você pode não querer agora mas daqui a pouco vai querer… Em dez anos, vou encontrá-lo empanturrado de cocô…

(O mais chocante da história é que todo mundo acha o meu comentário grosseiro mas consideram o absurdo que tive que ouvir a coisa mais normal do mundo. Vai entender!)

As Pessoas Egoístas, Individualistas e Covardes Estão Destruindo o Planeta!

O mundo já tem pessoas demais. A humanidade, pra todos os fins e efeitos, é uma praga, o pior tipo de parasita, aquele que mata o próprio hospedeiro, suprema burrice. Os recursos naturais do nosso planeta estão quase esgotados.

Dentro desse quadro ecológico, talvez a melhor coisa que possamos fazer pela Terra seja poupá-la de mais um ser humano que vai usar fraldas plásticas e consumir gasolina.

Não é à toa que, entre os povos mais ecologicamente conscientes do mundo, é cada vez mais raro encontrar famílias com dois filhos. Os casais têm somente um, quando não fazem a opção por nenhum. São pessoas que têm exata noção do estrago que um simples ser humano adicional pode causar.

Reparem bem: não estou dizendo que as pessoas que têm filhos estão destruindo o planeta. Mas, realmente, se for pra colocar ecologia e meio ambiente na discussão, então, eles estarão do lado das pessoas que fazem o sacrifício de não procriar pelo bem do planeta.

O argumento ecologicamente correto bem poderia ser o seguinte: para satisfazer seus instintos animais de sobrevivência e propagação da espécie, para massagear seu próprio ego passando seu DNA adiante, muitas pessoas individualistas, covardes e egoístas continuam insistindo em ter filhos, mesmo sabendo do impacto ambiental da superpopulação. Se pensassem realmente na coletividade, na sobrevivência da espécie, em questões sociais e no bem-estar do planeta, fariam o sacrifício de não propagar seu DNA.

Por fim, se realmente fizessem questão de ter filhos, de passar adiante seus conhecimentos, de dividir sua experiência, adotariam uma criança já nascida.

Gostar de Crianças

Muita gente confunde não querer ter filhos com não gostar de crianças, como se fosse tudo uma coisa só. Não é.

Realmente, confesso, não confio em gente que não gosta de criança. Não sei se são egoístas, covardes ou pessimistas, mas sei que não dou as costas pra eles. Faço questão de cortar eu mesmo o baralho.

Se você vê uma criança empolgada, correndo feliz, conhecendo o mundo, descobrindo o próprio corpo, perguntando sobre o universo, e se isso te incomoda, se isso não derrete seu coração, se tudo o que você quer é que ela se comporte como uma boneca e fique calada e sentadinha, então, meu amigo, não tente vender um carro usado pra mim.

Entretanto, ter filhos é difícil. É a maior responsabilidade que uma pessoa pode se dar. Vejo idiotas procriando como coelhos sem ter a menor idéia do que se trata, dos desafios envolvidos, da importância da tarefa.

Vocês me desculpem, mas eu acho que dá muito trabalho, muita despesa e, mais importante, suga a liberdade. Ter filhos é uma viagem sem volta. A vida toda é um tempo muito longo. Eu sou responsável demais pra aceitar uma incumbência que não sei se poderei manter. E a nossa vida, a longo prazo, a gente nunca sabe como vai ser.

Admiro quem tem filhos. Acho que são pessoas mais corajosas que eu. Agradeço pelos futuros leitores, vou precisar deles. Agradeço pelas futuras belas mulheres, que não vão nem olhar pra um velho como eu, mas vão embelezar o mundo. Mas estou fora, sinto muito.

Eu vou tentar fazer o meu melhor pelo mundo, pela humanidade e pelas futuras gerações somente escrevendo…

Às vezes pergunto-me porque razão as pessoas querem ter filhos. Tive de fazer essa pergunta a mim próprio recentemente. As razões, não são difíceis de encontrar. Já ouvi várias respostas e quase todas me soam mal. Fico um bocado apreensivo ao perceber que em muitas situações os filhos que se desejam acabam por desempenhar uma função utilitária, e ser um meio para atingir um fim. Utilizam-se como ferramentas para:

* melhorar o casamento (“os filhos dão outra vida a um casamento”);
* compensar um mau relacionamento entre o casal (“os meus filhos são as pessoas mais importantes da minha vida”);
* aumentar a felicidade do agregado familiar (“os filhos são a alegria de uma casa” ou “o meu filho quer um irmão”);
* resolver problemas de auto-imagem (“um filho dá um novo significado/propósito à vida”);
* fins estéticos (“queria ter um casalsinho”).

Os alvos deveriam ser menos egoistas, considerando um filho como uma pessoa com igualdade de direitos em ser amada como nós queremos ser amados, em ser querido como nós queremos ser queridos. Ter filhos é uma oportunidade de participar na concepção de uma pessoa, no seu desenvolvimento e formação. Ter um filho é uma oportunidade de dar amor e carinho.

As boas intenções existem frequentemente, mas quando é preciso incluir um filho recém-chegado num horário mais ou menos estabelecido, já carregado pelo trabalho, pelo trânsito, pelo cansaço e por várias relações pessoais – família, amigos, colegas -, as coisas complicam-se. Para esta obra é preciso ter consciência das novas necessidades e ter vontade de reorganizar o uso do tempo, sem esquecer todos os compromissos anteriores. É essencial ajustar a forma como se usa o tempo. Já nada é igual ao que era antes.

A realidade mostra que se arranjam desculpas com facilidade, pela necessidade de dispersar os recursos, o tempo, por tantas solicitações. Corre-se o risco de colocar a família ao nível do resto. Os filhos passam a ser mais um item na agenda e o tempo com eles é cada vez mais reduzido. Ao não usar de tempo para estar com eles, falar com eles, compreendê-los e fazer-nos compreender, ao não se desempenhar convenientemente o papel de pais, está-se a entregar essa responsabilidade, essa oportunidade, a educadores, professores, amigos e por vezes, mais grave, à televisão e internet. Porque nos ausentamos da sua educação, do seu dia-a-dia, das suas dúvidas, dos seus problemas, mas também das suas alegrias, os nossos filhos deixam de ser nossos, são só pessoas que vivem connosco e pelos quais somos responsáveis financeiramente.

Se queremos ter filhos, lá no fundo, é para isso que os queremos?

Bom, quero reproduzir também o texto do educador Gikovate :

É incrível, mas até hoje os casais que decidem não ter filhos são olhados com desconfiança, como se estivessem traindo a sociedade e a espécie humana. O argumento que sustenta as críticas – e atinge principalmente a mulher – é o da necessidade de satisfação do instinto materno: só mesmo uma mulher muito desalmada não tenderia a exercer seus impulsos naturais. Assim se manifestam as pessoas que seguem os passos de nossos ancestrais, sem nunca refletir sobre o modo como devemos conduzir nossas vidas.

Se tomarmos outros mamíferos como base, verificaremos que o instinto surge a partir do nascimento da prole. Uma cadela não se entrega à maternidade até que nasçam seus filhotes, quando se torna feroz defensora e guardiã do bem-estar deles. Da mesma forma, acredito que nas mulheres esse instinto se revela apenas a partir da gestação. Ele se mostra nos cuidados que dedicam ao bebê e não no desejo de ter filhos.

Quando pensamos sobre o passado da nossa espécie, percebemos duas importantes características. A primeira: a reprodução era, como regra, uma manifestação indireta do nosso poderoso instinto sexual – e não da vontade de ser mãe! Com tanto desejo e com recursos anticoncepcionais tão pobres e pouco conhecidos, os casais já voltavam da lua-de-mel grávidos. A preocupação com o tema sempre foi muito maior do que a atual. As pessoas viam as mulheres que não engravidavam como problemáticas, detentoras de algum distúrbio.

A segunda característica se refere à função das crianças na vida familiar do passado. Todos festejavam o nascimento como uma importante conquista. Famílias numerosas podiam arar extensões maiores de terra, o que produzia maiores lucros. Além dos benefícios materiais, os pais contavam com outra vantagem: teriam amparo na velhice. Não havia dúvidas sobre o assunto.

E hoje? Por que ter filhos nestes dias tão cheios de contratempos e dificuldades? As razões que estiveram a favor da reprodução ao longo de séculos não existem mais: eles não cuidarão de nós na velhice e só alguns nos trarão benefício prático – é claro que existem exceções. Eles tendem a ser dependentes por tempo indeterminado, nos custam muito dinheiro e dificilmente poderão – ou acharão que devem – retribuir algo. Outra coisa: o sexo e a reprodução deixaram de ter a correspondência de antes.

Temos de aprender a pensar sobre nós e nosso tempo. Não faz mais sentido engravidar porque todo mundo engravida. Precisamos respeitar os casais que decidem não ser pais, o que indica que preferem se dedicar a outras causas a se sentir perpetuados em seus descendentes, a cuidar de crianças e acompanhar seu crescimento ou a se beneficiar da alegria e da agitação que levam para os lares. Ter ou não filhos deve ser assunto de discussão para cada casal, uma vez que a decisão é muito relevante para o modo de vida que deseja imprimir à sua existência. Não existe um caminho melhor que o outro. Ser pai ou mãe não é obrigatório, mas facultativo.

e vale a pena ler a entrevista do Jerry Steinberg :

Ter filho para quê?
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O canadense Jerry Steinberg, de 57 anos, vai logo avisando que gosta de crianças. Mas não em tempo integral. Gastou sua cota de “paternidade” ajudando a criar os dois irmãos, sendo monitor de acampamento e seguindo a carreira de professor – dá aulas de inglês para estrangeiros. A gota d’água foi namorar três mulheres que tinham filhos. Desistiu de formar a própria prole ao ver que o cotidiano que inclui pequenos é cheio de limitações. “Não se pode ter uma conversa séria às 3 da tarde ou fazer amor às 10 da manhã”, diz.

Steinberg sentiu-se isolado em sua decisão e percebeu que estava perdendo os amigos. Eles começavam a ter filhos, mudavam o rumo na vida e faziam novas amizades em função das crianças. Foi então, há 19 anos, que surgiu a idéia de fundar um clube de “pessoas sem filhos”, o No Kidding. Hoje, são 77 filiais em quatro países, totalizando 8 mil associados. “Vi que não apenas não estou sozinho, como estou em ótima companhia.”

ÉPOCA – Não ter filhos não é impedir o ciclo natural da vida?
Jerry Steinberg – E por acaso nós levamos uma vida “natural”? Não estamos mais numa sociedade agrária, em que a criança era mão-de-obra barata na fazenda. Mais de 80% da população mundial vive em grandes cidades. As crianças não são mais um ativo, mas um rombo em seu tempo, em sua energia e em suas finanças. Ter filhos, hoje, na maioria dos casos, é conseqüência natural de sexo sem proteção. Com a contracepção moderna, pessoas responsáveis terão filhos apenas se quiserem. Nossos avós não tinham escolha, e às vezes acabavam com uma penca de crianças sem ao menos poder mantê-las. Nós temos controle sobre nossa fertilidade e devemos exercê-lo.

ÉPOCA – Não é muito egoísta a decisão de não ter filhos?
Steinberg – É. Mas as pessoas têm filhos por razões bastante egoístas: por prazer, para cuidar delas na velhice, para ter alguém para amar e amá-las de volta, para viver coisas que não puderam viver quando eram crianças, para exercer poder sobre alguém, dar continuidade ao nome da família. O que é mais egoísta que fazer um minieu? É vaidade.

ÉPOCA – Qual porcentagem da população tem filhos por motivos que o senhor considera corretos?
Steinberg – A maioria das pessoas tem filhos sem motivo, sem pensar. A resposta que sempre ouço é que aconteceu sem planejamento. Acho irresponsável, tolo e egoísta. Crianças são muito preciosas para vir ao mundo por acidente.

ÉPOCA – O senhor acha que as pessoas que optam por ter filhos devem ser questionadas, assim como ocorre com aquelas que escolhem não procriar?
Steinberg – É claro! A situação hoje é muito unilateral. Os casais que optam por não ter filhos precisam se justificar o tempo todo, para a família, para os amigos e até para estranhos. Enquanto isso, lemos nos jornais todos os dias sobre pessoas que nunca deveriam ter procriado. Vemos crianças abandonadas, negligenciadas, que sofrem abuso, pais que largam a família e não pagam pensão nem querem ver o filho.

ÉPOCA – Por outro lado, a maternidade e a paternidade não são dons naturais, intrínsecos ao ser humano?
Steinberg – De modo algum. Ser boa mãe ou bom pai requer muito conhecimento, dom, habilidade, paciência, energia e tempo. Se você não tem isso, quais são suas chances reais de sucesso? Parece-me que as pessoas gastam mais tempo pensando que sapato comprar que em se querem ou não ter filhos. É uma vergonha.

ÉPOCA – Ter filhos não pode ser uma forma de dividir as coisas boas que um casal construiu?
Steinberg – Pode, mas em muitos casos é uma desculpa para o fracasso pessoal. Muita gente abandona as aspirações de carreira ou de hobby porque tem de sustentar os filhos. Depois, cobra isso da criança, busca realização por meio dela. É muito cruel exigir que o filho tome conta dos negócios da família. Talvez ele não tenha nem interesse nem competência. No fim, é uma pena para todos.

ÉPOCA – Qual é o impacto de filhos na vida de um casal?
Steinberg – Uma tremenda perda de liberdade. Não se pode mais fazer o que se quer, quando se quer. A espontaneidade morre. Perdem-se tempo, energia, dinheiro. Custa cerca de US$ 200 mil criar alguém do nascimento aos 18 anos. Sem faculdade. Muitas vezes um casal rompe por problemas financeiros. Portanto, se você não tem uma situação confortável e resolve ter filhos, está procurando encrenca. Sem falar no fato de os pais discordarem sobre como cuidar dos filhos. Não tê-los dá ao casal menos motivos para conflitos.

ÉPOCA – Mas então não seria melhor rever a forma como se educam os filhos em vez de resolver não tê-los?
Steinberg – Há um problema no modelo adotado pela classe média. Antes os pais ditavam as regras, mas a mesa virou e agora são as crianças que mandam nos pais. Elas fazem o que querem em locais públicos e os pais se omitem, numa situação desagradável para os outros.

ÉPOCA – Filho ajuda o casamento?
Steinberg – Os padres dizem que filhos são uma ponte entre marido e mulher. Na verdade, eles são um abismo. O marido passa para segundo plano, sente-se preterido e acaba buscando outra mulher. Tive acesso a vários estudos que mostram que relacionamentos sem filhos são mais sólidos e duram mais. O romance morre quando as crianças nascem.

ÉPOCA – O senhor também defende aquela tese aparentemente fajuta de que não ter filhos é uma decisão ecologicamente correta?
Steinberg – Não tem nada de fajuto nessa teoria. A quantidade de terra arável, de água potável e de espaço habitável está limitada no planeta. As pessoas estão sendo forçadas a viver confinadas ou em locais inundáveis ou secos. Não há pasto. A maioria da população está em centros urbanos, e isso cria vários problemas. Não se produz nada na cidade, tudo tem de vir de fora. Aí há trânsito. Além disso, existe uma questão psicológica: quanto mais gente viver em áreas superpopulosas, maior serão a agressividade e a violência. Estamos sob tremenda pressão.

ÉPOCA – A tecnologia e o urbanismo não poderão solucionar esses problemas?
Steinberg – Não há tecnologia que resolva isso. Hoje levamos uma hora para chegar ao mesmo lugar a que antes chegávamos em dez minutos. Daqui a 20 ou 40 anos, vamos levar três horas. É loucura, tem de haver um limite. Os animais são mais sábios. Quando ficam confinados, com pouco alimento, se reproduzem menos. Humanos não fazem isso. Metade das pessoas deste planeta está morrendo de fome ou de sede. E continuamos procriando a taxas recordes. Em apenas 40 anos, dobramos a população de 3 bilhões para 6 bilhões. Onde vamos parar? Será preciso uma terceira guerra mundial ou epidemias como a Aids para nos colocar de novo em patamares suportáveis?

ÉPOCA – O que acha do aborto?
Steinberg – Com boa contracepção, as pessoas só têm filhos se os querem e podem sustentá-los. Caso contrário, o aborto se torna uma opção. Prevenir gravidez indesejada evita abortos.

ÉPOCA – Pessoas sem filhos não evoluem menos?
Steinberg – Não, ao contrário. A maioria das pessoas sem filhos que conheço é muito ativa em sua comunidade, faz trabalho voluntário. O foco de quem tem filhos fica mais estreito: é o lar. Se determinado problema não afeta diretamente seus filhos, não se envolve.

ÉPOCA – Quem tem filhos acaba abrindo mão de algo realmente importante?
Steinberg – Sair para uma cerveja com amigos não é alta prioridade. Mas muita gente precisa parar de estudar ou encurtar os planos para trabalhar. As aspirações de carreira podem ficar limitadas. Muitas vezes quem tem filho chega tarde ao trabalho e sai cedo, passa tempo no telefone falando com as crianças ou resolvendo problemas relativos a elas. Isso pode contribuir para que seja preterido na hora de uma promoção.

ÉPOCA – Por que ainda vemos com estranheza quem opta por não ter filhos?
Steinberg – Mudanças levam tempo. A aceitação de estilos de vida alternativos demora. Há 50 anos era inconcebível viver junto sem casar. Era pecado. O mesmo valia para mães solteiras ou uniões inter-raciais. Hoje em dia casais homossexuais adotam crianças ou fazem fertilização para ter os próprios filhos. Vamos chegar a um ponto em que não procriar também será aceito. Quem, em seu juízo perfeito, insistiria que tenha filhos uma pessoa que não quer, não tem como bancar e não saberá criar adequadamente uma criança?

ÉPOCA – Como responder à clássica pergunta “Você não vai ter filhos”?
Steinberg – Alguns membros do No Kidding respondem que não podem ter filhos. Acham que a pena que isso desperta é mais suportável que a indignação. Se alguém insiste comigo, eu digo: “Então tá, você me convenceu. Vou ter dez filhos e, se não der certo, mando para sua casa para você criar”.

www.travessa.com.br/SEM_FILHOS_40_RAZOES…

revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT3…

www.interney.net/blogs/lll/2008/08/01/a_…

casobicudo.blogspot.com/2005/02/ter-filh…

www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/n…

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