Sumário da Conferência Sobre Náilon e Cordas, Turim, 8 e 9 de março, 2002

Muitos trabalhos científicos foram apresentados, inclusive modelamento matemático de técnicas de asseguramento e modelos analíticos para a análise de cordas têxteis. A absorção de água em polímeros é muito melhor entendida agora do que há mais de 30 anos, quando testes verificaram que uma corda olhada perde muito de sua performance dinâmica. Atualmente é sabido que a água causa plasticização do nylon, mudando drasticamente suas propriedades mecânicas e físicas.

1 - Fatos materiais sobre polímeros (náilon) de interesse de usuários de cordas:

  • polímeros consistem de macromoléculas, nas quais partes de cristal, perfeitamente ordenadas em estruturas de cadeia, alternam-se com partes amorfas, estruturas desordenadas com cadeias embaraçadas;
  • a adição de água reduz o Tg do material e tem o mesmo efeito que o aquecimento do material;
  • assim, as propriedades mecânicas e físicas do náilon mudam com a temperatura e a umidade, entre outros fatores;
  • a testagem de uma corda molhada é similar à de uma corda seca à temperatura de 70-80ºC.

2 - Fatos sobre a construção de cordas:

  • a capacidade de absorção de energia é devida principalmente à alma (múltiplos feixes enrolados);
  • para melhorar a performance dinâmica, deve-se aumentar a alma e diminuir a capa,
  • a resistência à abrasão é mais ou menos proporcional à quantidade de capa;
  • uma capa mais grossa resiste melhor à abrasão do que uma capa mais fina, considerando-se que sejam iguais em todos os demais elementos;
  • capa apertada vs. capa folgada. Uma capa apertada produz uma corda que é mais rígida, possui mais resistência à abrasão e ao corte, enrosca-se mais, tem uma elasticidade maior, é menos flexível e tem menos resistência no nó do que uma com uma capa folgada.

3 - Por que as cordas ficaram mais finas e agüentam mais quedas: - @cinqüenta anos atrás, uma corda de 11 mm mal agüentava duas quedas. Hoje em dia nós conseguimos uma corda de 9.5 mm que agüenta oito quedas,

  • fibras: melhoramento da matéria-prima, dos métodos de produção e do controle de qualidade;
  • feixes: métodos melhores de torcimento dos fios e dos processos de compactação e pintura;
  • seleção e configuração apropriadas de máquinas de entrançamento e de contagem de fios;
  • melhor conhecimento do balanceamento da contrução capa/alma;
  • anos de experimentação, pesquisa e experiência.

4 - Influência da luz solar na performance dinâmica das cordas de montanhismo de quedas múltiplas:

  • algumas cores na capa desbotam, enquanto outras não;
  • há uma correlação entre o desbotamento dos filamentos e as propriedades mecânicas: quanto maior a perda de cor, maior a degradação das propriedades mecânicas. Isso parece afetar mais as cores mais brilhantes e "estilizadas";
  • as propriedades mecânicas da alma degradam de uma forma consideravelmente mais uniforme e muito menos do que a capa;
  • uma redução relativamente pequena das propriedades mecânicas dos filamentos (aproximadamente 10% de redução em tensão de ruptura e de elasticidade) corresponde a uma notável redução no número de quedas suportados (até 50%). As cordas ficaram expostas por três meses em uma elevação de 2550 m nos Dolomitas;
  • como esperado, a degradação a uma elevação menor (1834 m) foi consideravelmente menor (até 25% de redução no número de quedas suportados);
  • o valor da força de impacto não é afetado.

5 - Quando aposentar uma corda, um estudo do desgaste das cordas:

  • não é nenhuma novidade que os principais fatores de desgaste de corda são os efeitos combinados do atrito contra a rocha, redução mecânica (equipamentos de asseguramento e rappel), sujeira e microcristais que penetram a capa, e o número de metros escalados (não o tempo de uso);
  • o inimigo da corda é a fricção - mais intensa no rappel e no top rope, piorado ainda mais pela sujeira e pelo atrito inevitável contra a rocha;
  • alguns equipamentos de rappel produzem mais desgaste na corda do que outros;
  • depois de apenas 50 descidas com um freio oito, a resistência dinâmica de uma corda (número de quedas) é reduzida em um terço. As descidas foram realizadas com cuidado extremo - lentamente e sem impacto;
  • rappel com um Robot (um equipamento multi-uso produzido pela Kong) não parece comprometer a resistência dinâmica da corda. O equipamento funciona como um freio de mosquetões cruzados;
  • sem nenhuma surpresa, o desgaste da corda é muito maior no granito do que no calcário;
  • a degradação da corda é aproximadamente proporcional à quantidade de fibras partidas na capa;
  • trabalhos atuais confirmam informações previamente publicadas. Depois de escalar aproximadamente 5000 metros, a resistência dinâmica da corda é reduzida à metade e após 6000 metros adicionais, cai para 30% (UIAA Bulletin # 146, Junho de 1994, Alemanha);
  • veja também The Journal of the UIAA #3, 2000, pp. 12 - 13, disponível na internet no site http://journal.uiaa.ch/edition.asp?id=114.

6 - Perda de Segurança em Cordas de Montanhismo por Ciclos de Descida em Escalada Top Rope. Este trabalho detalha a surpreendente perda de capacidade nas cordas dinâmicas de montanhismo devido a escaladas top rope. A tradução não é de boa qualidade. Uma versão melhor editada pode ser encontrada em www.alpineclubofcanada.ca/services/safety/index.html.

7 - Abundam afirmações sobre os benefícios de tratamento "dry" de cordas (durabilidade da impermeabilidade, melhoramento do manuseamento, resistência à abrasão, durabilidade etc). Primeiro, não há procedimentos padronizados. Os fabricantes podem fazer tanto mais ou tanto menos acharem melhor. Além disso, não há testes específicos para cordas de escalada que meçam durabilidade, a resistência à abrasão ou a impermeabilidade. Assim, nenhuma comparação válida pode ser feita.

Contudo, não há dúvida de que são conhecidos tratamentos e processos de acabamento que reduzem a absorção de água. A durabilidade desse tratamento é supostamente boa em relação ao tempo de vida da corda, mas também é verdade que o tratamento "dry" se deteriora com o uso da corda.

Um estudo com cordas com tratamento "dry" de treze fabricantes diferentes, utilizando uma variedade de métodos de testagem, mostra que pouquíssimas cordas realmente repelem água bem. Todo resto está agrupado com taxas de absorção bem maiores. Alguém pode dizer que muitas delas não retêm água, mas as cordas retêm sim.

8 - Novas orientações:

  • encontrar formas de manter a resistência em ambientes molhados ou de grande umidade;
  • melhorar a resistência a bordas cortantes (uma corda moderna só falha se cortada por uma quina afiada);
  • desenvolver novas fibras (de poliamida). Isso somente ocorrerá em decorrência de outras demandas. Os fabricantes de cordas usam apenas uma quantidade minúscula do total de náilon produzido no mundo.

Os procedimentos completos desta conferência podem ser obtidos (em disquete) de:

Prof. Luigi Costa @
Dipartimento di Chimica IFM @Via Giuria 7
10125 Torino @Italy @Fax ++ 39 011 6707855

Texto traduzido por Frederico Yasuo Noritomi de documento disponível no site www.uiaa.ch

 

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