Existem basicamente duas formas sobre como fazer o seu próprio backup durante o rapel. Uma delas envolve o "travamento" da corda acima do freio descensor (ATC, Oito, etc...) e outra envolve o travamento da corda abaixo do freio descensor.

Os sistemas que travam a corda por cima tem algumas pouquíssimas vantagens, e mundialmente é utilizado o travamento abaixo do freio, e inclusive o aparelho de segurança "automático" da Petzl, o Shunt funciona dessa forma.

backup_rapel_aluno

http://en.petzl.com/petzl/SportProduits?Produit=116

A FEMERJ e a FEMESP, assim como diversas outras entidades (como a Aguiperj), recomendam o backup do rapel realizado com o travamento da corda abaixo do freio descensor.

E para isso, reproduzo o texto da Samanta Chu, publicado no site da Femesp :

http://www.femesp.org/seguranca.php?dica=200808


O uso de backup no rapel é uma prática altamente recomendada. Além de segurá-lo contra uma possível queda em caso de algum acidente ou imprevisto o backup também pode ajudá-lo a controlar a velocidade de sua descida (fazendo paradas) e permite que você tenha as mãos livres para organizar a corda ou algum equipamento durante a descida. Tenha em mente, contudo, que o backup não é um sistema infalível e pode se soltar eventualmente, portanto procure sempre manter uma das mãos na corda.

Como quase tudo na escalada há mais de uma técnica que pode ser utilizada para se fazer o backup e a técnica aqui apresentada é a que considero a mais fácil e prática, também sendo a mais rápida, dentro das diversas possibilidades. Esta técnica utiliza o prusik francês, que é facilmente confeccionado envolvendo-se a corda com um anel de cordim e clipando-se as duas extremidades, (foto 1) como nó blocante mas o prusik, nó mais conhecido e popular, também pode ser utilizado.

200808_01

O backup consiste em utilizar um nó blocante preso à corda além do freio de modo que o blocante prenda a corda quando tensionado, mas possa ser facilmente movido pela corda quando não tensionado.Para armar um backup você irá necessitar um anel de cordelete de 6-7mm pré-atado com 40-45cm de comprimento e um mosquetão, preferencialmente mosquetão com trava pequeno.

1 - clipe o mosquetão na alça de perna da cadeirinha.
2 - Faça um prusik ou um prusik francês na corda do rapel, certificando-se de que o cordim está justo e alinhado (foto 2).

200808_02

3 - Uma vez que o backup está preso à corda, você pode prender a corda ao freio e preparar-se para o rapel; o backup irá  suportar o peso da corda permitindo que você tenha as duas mãos livres facilitando a montagem do freio (foto 3).

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4 - Recolha a folga de corda e teste o sistema, transferindo o seu peso para primeiro para o freio e posteriormente para o backup.
5 - Certifique-se de que os mosquestões estão orientados corretamente e travados.
6 - Estando tudo certo, você está pronto para o rapel.
7 - Durante a descida sempre mantenha uma mão na corda, controlando a descida e sua outra mão sobre o blocante deslizando-o pela corda para evitar que ele trave (fotos 4 e 4a). O blocante não deve estar sendo tensionado durante o rapel, utilizado como 'redutor de velocidade'; ele apenas deve ser solicitado caso seja necessário.

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7 - Para parar durante a descida permita que o cordim trave e certifique-se de que ele está posicionado corretamente antes de liberar a mão que controla o rapel da corda; para voltar ao rapel posicione a mão de controle na corda e com a outra mão alivie o backup, prosseguindo com sua descida.

Importante:
- Eleja um anel de cordim e um mosquetão como o seu 'kit de backup', evitando utiliza-los para outras finalidades.
- Certifique-se de que o cordim está no comprimento adequado, não muito comprido, e de que não há o risco de que ele encoste no aparelho que você utiliza como freio, o que pode fazer com que ele perca o efeito.
- Não utilize cordim de spectra, material que possui ponto de fusão extremamente baixo e pode derreter com o calor gerado pelo atrito.

Escale com segurança!

Para entender e compreender de forma integral como realizar esta auto-segurança utilizando o prussik francês, abaixo do freio, e preso na perneira da cadeirinha, confira o vídeo :

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Entretanto.... colocar o nó auto-blocante na perneira não é uma unanimidade !

Por outro lado, o Rodrigo Chinaglia (do CUME / UFSCar de São Carlos, http://www.cume.org/backuprapel.asp ), enviou um email para a Petzl, questionando a forma como eles recomendam que seja realizado a auto-segurança durante o backup, utilizando-se apenas cordins, e a resposta do Eric Lescarcelle foi a de que eles condenam a forma de citada acima, sendo que na verdade, recomendam a forma abaixo :

 

Staying at your entire disposal for any further information

All the best

Eric Lescarcelle
After-sales department / Service après vente
Customer satisfaction pilot / Pilote satisfaction clients
33 (0)4 56 58 19 82 / Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Site Crolles - Cidex 105 A - 38920 CROLLES / France - Tel : 33 (0)4 76 92 09 00 - Fax : 33 (0)4 76 08 82 04 - www.petzl.com

Então resolvi fazer um rápido vídeo e mostrar a forma recomendada pela Petzl :

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Os detalhes são :
  1. a solteira fica laçada, com um nó "boca-de-lobo" na parte superior e inferior da cadeirinha (e não no loop).
  2. a solteira possui um nó simples em sua metade.
  3. o freio fica preso na metade "de baixo" da solteira
  4. o nó auto-blocante utilizado é o nó de "marchard" ou nó de prussik francês (e não o nó de prussik normal )
  5. o nó auto-blocante fica preso com um mosquetão de trava no loop da cadeirinha (e não na perneira).
Enfim....

A recomendação do fabricante para uso de seus produtos com determinadas técnicas realmente é um fator decisivo na hora de comprar um produto, pois se algo acontecer fora do esperado, como incidentes, ou até mesmo acidentes, eles se eximem da culpa pois orientaram para que seus produtos não fossem utilizados daquela forma.

Até que ponto é realmente importante seguir essa norma? Em ambiente profissional (de trabalho em altura/vertical) fica claro que a norma deve ser seguida sempre, sendo praticamente um respaldo legal para o caso de incidentes: Em caso de falha, ainda que o incidente não tenha relação direta com o ocorrido, já abre precedente para que se desconfie que algo pudesse estar sendo feito de forma inadequada.

Em tempo: esse tipo de trabalho exige segurança redobrada e não se pode vacilar com equipamentos, técnicas, e o mais importante: atenção, uma vez que a empresa pode receber processos milionários por pequenos acidentes ocorridos em suas dependencias.

Por isso ela paga tão caro para ter um serviço de qualidade, e, obviamente, respaldado pela norma. Hoje em dia as normas NBR existem para quase tudo: inclusive para trabalho em altura. Quando algo der errado, a primeira coisa que o juíz vai perguntar é se os procedimentos estavam de acordo com a norma, afinal, ele não é obrigado a conhecer todos os assuntos, entao ele recorre às NBR.

Em ambiente amador (leia-se: final de semana escalando com os amigos) seguir a norma é tão importante? Rapelar num ponto só, Top tope em duas costuras, solteira de corda dinâmica ligada à cadeirinha por volta do fiel, escalar sem capacete. Enfim, as vezes escalando em casa, depois de tantas e tantas vezes fazer aquela via, a gente se acomoda, pois fica conhecendo (ou achando que conhece) as proteções que estamos acostumados a usar.

A diferença, nesse caso, é que se acontecer algo com a gente, estamos ali porque quisemos. A escolha de subir uma via sem capacete, pular uma costura, armar top rope numa chapa só é nossa, assim como a culpa em caso de acidente. Seguir as normas nesse caso vai de cada um, e as ponderações sobre as consequências de seus atos, e de porque tê-los.

Da mesma forma que não se é obrigado a escalar usando corda num pico, muitas pessoas o fazem, temendo pela sua vida, como forma de segurança. Porque utilizar backup do rapel? Nunca se sabe se a corda vai escapar da sua mão enquanto se estiver rapelando. Muitas pessoas não o fazem por preguiça, ou por acharem desnecessário. Outras, no entanto desconhecem a técnica.

Pra quem pensa que nunca soltou a mao durante um rapel, fique esperto! Isso so acontece uma vez na vida! Muitos de nós estamos com a mania de usar backup do looping da cadeirinha. Pra que? A cadeirinha é nova, é importada, é de raipalon poli tri écs costurada a vacuo pelas fiandeiras do norte da finlandia. E assim era tambem o looping da ultima cadeirinha do escalador Todd Skinner. Pena que ele não chegou a utilizar as novas.

Que as técnicas de segurança devem ser seguidas, não resta dúvida, porém, quando há mais de uma para a mesma finalidade, qual escolher? Existem algumas maneiras de se fazer rapel autoseguro: Com o prussik acima do freio, que fica muito dificil soltar, e sobrecarrega o cordim com 100% do seu peso, colocar abaixo do freio, como na foto com o nó machard na perneira, subir o freio para que o backup fique no ponto de encordamento, enfim: Vale seguir a recomedação da petzl ou continuar utilizando o backup na perna, como temos feito há anos?

No site da UIAA, nosso órgão de representatividade maxima em nível mundial existem muitos artigos interessantissimos sobre temas como esses. Num deles, que fala sobre os perigos de se fazer segurança com o Oito, na página 7, parágrafo 2, há a recomendação de se evitar as "leg-loops", ou perneiras, para o backup do rapel. Confira o trecho :

rapel_uiaa

Contudo, o artigo é de 2000 e eu já "ouvi" dizer que após algumas rupturas em perneiras de cadeirinhas, os fabricantes como a PETZL colocaram um reforço na costura da perna, (por volta de 2004-05), porém não li em nenhum site confiável (quando mandei o email para a PETZL esperava que eles me dissessem algo sobre isso!).

Vale a pena ler (se você lê em inglês) o artigo :  Karabiner Breakings when Using a Figure-of-Eight

ou melhor ainda, leia toda a seção :  http://www.theuiaa.org/act_safety.html

Bem, o mais certo é continuar escalando, e para garantir que isso aconteça é melhor faze-lo da maneira mais segura possivel, seja com o backup na perna, no looping, nos dois pontos de encordamento e até mesmo com a seg de um parceiro no chão (que é o único método que pode te por em segurança no chão rapidamente em caso de algum incidente).

Abraços e boas escaladas !

Davi Marski - Dezembro de 2008 (www.marski.org)

Veja também :

Comentarios  

 
0 #1 2010-06-10 13:28
Salve Davi.. Completando a info...
O mais importantes disso é que o freio não empurre o nó blocante. Ou seja, tem que existir uma distancia entre o freio e o blocante pra que eles não se toquem, se não ele perde a função de auto blocagem.
Outra info. a Diferença do prussik frances pro marchard é que no frances as pontas não se cruzam, apenas se juntam. São nos parecidos, porem diferentes...
Grande Abraço..........
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