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Correlação entre cintura, quadril, pressão arterial e doenças cardiovasculares

cintura quadrilpor Paula Amaral, Profª. de ed. física e montanhista

O padrão de distribuição do tecido adiposo, independentemente da gordura corporal total, altera o risco para a saúde induzido pela obesidade. Um dos exemplos está na relação cintura-quadril que, ultrapassando o resultado de 0,90, tem associação direta com o alto risco de morte por coronariopatia assim como a uma série de enfermidades como: a diabete, os triglicerídios elevados, a hipertensão e uma mortalidade global generalizada. Isso pode ocorrer em virtude do excesso de gordura na área abdominal (obesidade central ou andróide), ser metabolicamente mais ativo que a gordura localizada nos quadris e nas coxas (obesidade periférica ou ginecóide) e, consequentemente, mais capaz de penetrar nos processos relacionados a cardiopatia. A relação cintura-quadril para a mulher de referência de Behnke é o 0,696 (65,6cm: 94,2cm), até certo ponto, o padrão de distribuição da gordura é hereditário e provavelmente determinado pela atividade regional da lipase lipoprotéica, a enzima que limita o ritmo da captação dos triglicerídios pela célula adiposa.

Uma quantidade considerável de evidências epidemológicas e experimentais, sugerem que muitos fatores fisiológicos estão envolvidos na etiologia da aterosclerose prematura associada a obesidade visceral. Incluem-se a hiperinsulina dejejum, a insulina-resistência e os níveis plasmáticos elevados das lipoproteínas de baixa densidade (LDL colesterol) a hipertensão arterial e a distorção no equilíbrio hemostático, sendo todos fatores de risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, convergindo para um estágio final resultando em infartos do miocárdio e paradas cardíacas. Embora a síndrome, conforme tem sido, surge por estudos com descrição de histórico familiar e com gêmeos, ela tem progredido muito nas comunidades ocidentes ao longo das últimos décadas, provavelmente em função da aquisição de hábitos alimentares não saudáveis e a um estilo de vida sedentária.

A pressão arterial diastólica elevada, em pacientes ligeiramente acima do peso, não deveria ser tratada com a simples prescrição de drogas hipotensoras. Além disto, os fracos resultados dos tratamentos com drogas anti-hipertensivas, no que dizem respeito à prevenção de doenças arteriais coronarianas, demonstram a clara necessidade de uma abordagem mais integrativa, visando a uma abordagem integral da síndrome, na realidade, algumas drogas hipotensoras, particularmente os B-bloqueadores, podem conduzir ao agravamento da insulina-resistência e dislipidemia e podem resultar em ganho de peso.

Há muito tempo a associação entre a obesidade visceral e as doenças cardiovasculares emergiram como postulados médicos. Registros do século passado reconheciam a relação entre a gordura abdominal e a mortalidade. Em dados coletados pela Actuarial Society of America entre 1870 e 1899, 163.567 homens com excesso de peso, demonstram que os indivíduos muito pesados e com gordura abdominal localizada apresentavam uma taxa de mortalidade de 52% maior do que a estimativa média. Mais recentemente, observou-se uma correlação positiva entre a razão das circunferências abdominais e de quadril e uma incidência de 12 anos de infarto do miocárdio, tanto em homens como em mulheres.

A WHR (waist to hip rate) mais elevada entre homens poderia explicar estatisticamente as diferenças de sexo na incidência de 12 anos dos infartos do miocárdio. A observação de que uma alta WHR está associada com o maior desenvolvimento de placas ateroscleróticas coronarianas, conforme verificações em angiografias, fornece evidências mais diretas dos impactos adversos da adiposidade abdominal sobre a parede arterial.

Em mulheres obesas, a correlação positiva entre a razão dos gordura visceral e subcutânea, na região abdominal com a pressão arterial, independente do índice de massa corporal (IMC) sugere a existência de um efeito hipertensivo específico da acumulação de gordura visceral. A demonstração de efeitos sinergistas entre a distribuição de gordura e a hipertensão arterial sobre a mortalidade por doenças cardiovasculares, realizada em um estudo prospectivo de 15 para 20 anos com homens de meia idade, enfatiza que a hipertensão constitui uma importante complicação da obesidade abdominal.

Diversos estudos prospectivos sugerem que a insulino-resistência provoca a hipertensão arterial. Um estudo de 18 anos demonstrou um maior risco de desenvolvimento da hipertensão arterial entre as pessoas com pouca tolerância a glicose.
Sem dúvida, o excesso de peso, principalmente na região abdominal está associada a múltiplos traços aterogênicos e um acúmulo excessivo de gordura que contribui para um maior risco de doenças.
Eis os correlatos da obesidade relacionados à saúde:

1. Deterioração na função cardíaca devido a um aumento autônomo ventricular esquerdo.
2. Hipertensão e apoplexia.
3. Vários tipos de câncer (ex: uma mulher pós-menopáusica com obesidade maciça, corre um risco cinco vezes acima do normal de vir a ter um câncer do endométrio).
4. Concentrações plasmáticas anormais de lipídios e lipoproteínas.
5. Irregularidades menstruais.

De fato, a relação observada normalmente entre idade e a pressão arterial é explicada em parte, pela tendência em ganhar peso, observada com o envelhecimento.

A prática sistemática de atividades físicas pode afetar a pressão arterial de repouso, por induzir alterações na tonicidade simpática e na luz dos vasos capilares da musculatura esquelética. Contudo, a redução da pressão arterial, que pode ser obtida com a participação em programas de treinamento aeróbio, aparentemente, é modesta nos indivíduos hipertensos, mesmo que o programa de treinamento tenha promovido melhoras substâncias no VO2 máx. A pressão arterial mensurada na clínica pode ser influenciada por diversos outros fatores não relacionados ao treinamento e, portanto, a abordagem ambulatorial, passa a ser mais conclusiva. Apesar disto, os estudos sobre os efeitos do treinamento sobre a pressão arterial não tão conclusivos assim. Em dois estudos, foram registrados reduções modestas na pressão arterial diastólica em indivíduos normotensos e moderadamente hipertensos, ao passo que outros investigações não conseguiram quaisquer reduções na pressão arterial de repouso, e no período de 24 hs, de indivíduos hipertensos e normotensos, apesar de num destes estudos. Terem sido verificados melhoras no insulino-sensibilidade.

Referências bibliográficas:

1. REVISTA SPRINT. Número 102. Maio / 99.
2. KATCH. Frank & Victor. Fisiologia do Exercício. 1994. 3º edição
3. GUYTON, Arthur. Tratado de Fisiologia Médica. 1996. 9ª edição

 

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