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Manutenção dos Equipamentos de Escalada

climb gearpor Claudney Neves, www.escaladanoceara.com.br 

A pior situação para se descobrir que uma proteção móvel está dura e com o gatilho travado é segurando a peça com uma mão e com a outra em uma fenda, fazendo oposição, o braço começando a tijolar e os pés chapados na aderência do diedro, três metros acima da última proteção.


Muitas vezes chegamos da escalada e deixamos tudo como está na mochila. Quando abrimos novamente, vemos que rolou um efeito estufa lá dentro.

Não cuidar do equipamento não só irá diminuir sua vida útil como sua resistência, e nos casos mais graves podendo até se tornar um risco.

Cuidar do equipamento é simples e essencial. Quando você estiver naquele reglete, buscando uma colocação delicada, vai ser bom pegar a peça certa e sentí-la operando como nova.

Guarde seu equipamento de escalada em local limpo, seco e protegido de poeira e/ou incidência de raios solares. Certifique-se também que não esteja sujo e não seja exposto ao calor ou produtos químicos (especialmente os que possuem característica corrosiva). Recomenda-se também nunca deixar peças de nylon em contato direto com cimento ou concreto.

Mantenha o seu equipamento sempre fora do alcance de animais (como roedores, os de estimação, etc). Excrementos de animais e aves podem afetar a resistência de nylon (poliamida) e outros materiais têxteis.

SAPATILHAS

O cuidado mais importante que se deve ter é retirá-las da mochila.
Se todo mundo sair debandando toda vez que você pega a sapatilha é porque você não tem o hábito de tirá-las da mochila, dando a elas a oportunidade para arejar. Se já é tarde demais, você pode tentar aqueles talcos para os pés (antibactericidas).
O problema principal, porém, não é o cheiro, mas a possibilidade de contrair algum fungo que se instale nas unhas, que são extremamente contagiosos e se propagam em lugares escuros, quentes e úmidos.

Existem vários cuidados para prolongar a vida da sapatilha:

Não deixe a sapatilha no porta-malas do carro ou expostas diretamente ao sol, isso irá deformar a borracha, diminuindo muito sua precisão e deixando-a "seca" e dura, menos maleável.
Nunca lave a sapatilha em uma máquina de lavar, isso poderá deformá-la totalmente.
Lave-a ocasionalmente à mão, com água fria e sabão neutro, deixe-as secando à sombra, sem torcê-las.
Quando a borracha da ponta ou logo abaixo do dedão já estiver bem desgastada e muito fina é hora de uma ressola. Não espere formar um buraco na ponta. Se o couro por baixo da borracha for comprometido é possível que não dê para ressolar, você perderá, assim, muito tempo de uso que sua sapatilha poderia oferecer.
A borracha oxida com o tempo e adquire uma consistência mais dura e lisa. Para deixar a borracha "renovada" e com mais aderência costuma-se lixar levemente a camada exterior que está dura. Uma lixa d'água fina irá resolver.

CORDA

Manter a corda limpa é extremamente importante para prolongar sua vida útil e sua resistência. Partículas de sujeira e poeira têm um efeito extremamente abrasivo sobre a mesma.
Mantenha sempre que possível a corda fora de contato com o solo, em cima de uma lona, por exemplo.
Evite pisar na corda, pois isso levará partículas abrasivas para o seu interior, e muito cuidado se estiver usando crampons.
Nunca marque o meio da corda com uma caneta, a não ser que seja uma especial para isso. Os agentes químicos da tinta danificam a fibra, tornando aquele ponto extremamente vulnerável com o tempo, use o método da linha, clique aqui e veja o esquema.
Sempre verifique a corda minuciosamente, metro a metro, procurando sinais de fadiga ou pontos danificados. Se encontrar algum que seja sério, como nos casos quando a alma esteja aparecendo ou quando hajam pontos onde a corda esteja totalmente mole, achatada, muito mais grossa que seu diâmetro original ou peluda. Nesses casos, passe uma fita adesiva a cerca de meio metro distante do ponto duvidoso e corte-a com uma lâmina quente. Feito isso, queime rapidamente a ponta boa e aperte-a com os dedos.
Esqueça aqueles rapéis estilo cinema, dando pulos e descendo muito rápido, pois a velocidade irá danificar a capa da corda e os pulos criam cargas extremamente nocivas à ancoragem e à própria corda. No rapel é comum usar o meio da corda na ancoragem, não é bom criar uma dobra na corda no mesmo ponto. Com certeza esse efeito é minimizado devido aos pontos de ancoragem nem sempre terem a mesma distância, mesmo assim, se não precisar da corda inteira para o rapel, evite o meio, movendo-a um ou dois metros para um dos lados.
Dar segurança e fazer rapel usando o nó UIAA torce muito a corda, assim como os modelos de freio oito, e irá dificultar o seu manuseio. Os freios mais indicados são os tubulares, como o ATC, Reverso, Gigi e Cubik.
Nem precisava falar, mas não use a corda para nada que não seja escalar, como rebocar carros, usar de balanço em uma árvore, varal...
Quando a corda apresentar sinais evidentes de sujeira, lave-a em água fria, somente água, e deixe-a secando à sombra e bem espalhada. Nunca lave a corda na máquina de lavar, que pode conter resíduos de sabão e outros produtos químicos usados na lavagem de roupas.
Guarde a corda solta, não enrolada, e sem nós. Se a corda permanecer sempre dobrada nos mesmos pontos e ficar muito tempo assim, criará "pontos fracos".

CADEIRINHA

Sempre que puder, proteja sua cadeirinha da luz e do calor, que danificam a poliamida. Substâncias que também a danificam são os agentes ácidos, alcalinos, oxidantes e tinturas.
Em relação à lavagem, como em qualquer equipo de escalada, sempre lave à mão, e deixe secar à sombra.
Fique sempre atento aos pontos de costura, e principalmente no ponto onde se amarra a corda e no loop, ali ocorre muito atrito. Se estes pontos apresentarem um sinal de desgaste acentuado, aposente-a.
Se a cadeirinha tiver segurado muitas quedas, ou poucas, mas grandes, ou se de forma geral estiver muito gasta, mas ainda não apresenta pontos danificados sérios, não guie com ela e use-a somente para top-rope.

MOSQUETÕES E COSTURAS

O gatilho de um mosquetão deve fechar completamente somente com a tensão de sua própria mola. Se as partes móveis do seu mosquetão estiverem sujas com terra ou se o mesmo não fecha normalmente:
Lave o mosquetão com água e detergente.
Deixe secar bem.
Lubrifique com produtos à base de teflon ou silicone (encontrados em lojas para bicicletas).
Não use novamente um mosquetão que apresente alguma fissura, uma borda afiada, rebarba ou que sua mola esteja fraca, o gatilho não feche completamente ou apresente alguma deformidade estrutural.

As fitas das costuras, quando sujas, devem ser lavadas em água corrente e deixadas para secar à sombra.
Descarte todas as fitas que apresentem cortes ou estejam desfiadas.

CAPACETE

Lave seu capacete com água morna e sabão suave, sem água sanitária.
Antes de guardá-lo, deixe-o secar à sombra, abrigado da luz solar direta.
Não pinte seu capacete.
A cola de alguns adesivos pode prejudicar o material do capacete, evite enfeitá-lo.
Troque seu capacete se ele apresentar algum desgaste nas correias ou se as mesmas estão descoloridas, resultado da exposição à luz ultravioleta.
Se recebeu um forte golpe.
Se a superfície do capacete ou seu interior apresentam alguma fissura ou afundamento.
FRIENDS

Depois de algum uso, principalmente se for em uma área próxima do mar, ou quando muita terra e poeira se alojarem no interior dos friends, o jogo de molas ficará duro e difícil de manusear, podendo até travar. Para deixá-los como novos você precisará de uma escovinha, água quente, detergente e um lubrificante à base de teflon ou silicone, encontrados facilmente em lojas para bicicletas:
Mergulhe a parte das castanhas na mistura de água quente e detergente, acionando o gatilho da peça, com a escovinha complete o trabalho, sempre mantendo a fita do friend longe da água. Nunca utilize substâncias corrosivas como acetorna ou solventes à base de petróleo, pois podem vir a danificar as fitas em caso de contato.
Enxágue o friend em água morna.
Deixe a peça secar naturalmente.
Aplique o lubrificante nas partes móveis e pronto.
Repita os passos acima quantas vezes forem necessárias.

Evite utilizar lubrificantes como WD40, pois vão acumular mais sujeira, que poderá travar as castanhas novamente.

NUTS E HEXENTRICS

Lave sua peça com detergente e água, sempre que esta tenha sido exposta à água salgada ou ao ar marinho.
Não altere, lime ou modifique de modo algum suas peças.
Não exponha seu material a temperaturas superiores a 70ºC, o que pode acontecer no interior de um veículo.
Inspecione seus nuts e hexentrics antes e depois de cada uso.
Aposente imediatamente uma peça se esta apresentar o cabo partido ou desfiado, alguma fissura no corpo ou ainda se for verificada corrosão ou deformação em algum de seus componentes.
Se um nut ou hexentric suportou um forte impacto, pode ser que seja melhor descartá-lo, mesmo que não apresente sinais evidentes de dano. Se houver alguma dúvida sobre a confiabilidade de uma peça, descarte-a e adquira uma nova.

PITONS E CLIFFS

Equipamentos fabricados em aço ou ferro, são em geral equipamentos não só caros, mas difíceis de conseguir, portanto o cuidado para não perdê-los por desleixo deve ser dobrado. O maior problema é que alguns deles têm o péssimo hábito de enferrujar, e no caso dos cliffs, se não houver um cuidado especial, você terá que trocar frequentemente as fitas ou cordeletes dos mesmos, pois a ferrugem é uma forma de sujeira que, em casos mais graves, causa corrosão na fita, enfraquecendo-a bastante.
Para uma longa vida dos pitons, após o uso, é de praxe desentortá-los batendo com o martelo em cima de uma superfície de madeira plana.
Para evitar a ferrugem, uma técnica que o montanhista Eliseu Frechou desenvolveu e lhe rendeu bons resultados, foi simplesmente após desentortá-los e tendo a certeza de que estejam bem secos, passar uma mão bem fina de verniz incolor em spray. Isso manterá a ferrugem longe deles.
No caso dos cliffs, o ideal é mantê-los em um local arejado e sempre à vista, e ao menor sinal de ferrugem, limpá-los com uma palha de aço (como o bombril), cuidando para os resíduos da palha não ficarem depositados na fita, pois eles também enferrujam. Não é indicado usar qualquer produto anti-ferrugem como óleos ou tintas, pois atacaria a poliamida da fita.
Revise os nós e o estado de conservação das fitas antes de cada utilização, certificando-se de que esteja tudo de acordo.


Fontes:
Revista Headwall nº 1 (Fevereiro 2002)

Anclajes de Escalada (John Long & Bob Gaines)

Black Diamond

original em : http://www.escaladanoceara.com.br

escrito por Claudney Neves
www.escaladanoceara.com.br

 

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