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Proteções Fixas - Chapeletas e Chumbadores - Como Fixar Corretamente

por Davi Marski, em setembro de 2007

chapeleta01.jpgchapeleta02.jpg

 

Bom, a primeira coisa a ser dita é que o padrão mínimo para a resistência do material utilizado em escalada deve ser de 22KN, isso equivale a dizer (aproximadamente, pois 1KgF = 9,81 N) que o material deve suportar uma força de 2200 KgF.

 

Para fixar a chapeleta no rocha, basicamente no Brasil utiliza-se chumbadores. OK, você pode estar pensando, e os "P"s ? Não se usam no Brasil ? Sim... usam-se sim, mas para isso recomendo que você leia os trabalhos e os links que estão na seção de artigos.

 

Aqui no Brasil temos dois grandes fabricantes de chumbadores : A Tecnart e a Âncora. (os sites são www.tecnart.com.br e www.ancoranet.com.br )

 

Existem basicamente duas formas de fixar uma ancoragem fixa na rocha: através de cola e através de expansão.

 

 

Embora não seja tecnicamente um chumbador, as proteções fixas por "cola" são exibidos abaixo. São utilizados normalmente em rochas mais "macias", como por exemplo, o arenito e o quartzito (o quartzito embora não seja mole é altamente fragmentável, por isso a recomendação de usar-se ancoragens ou chumbadores químicos).

 

chapeleta03.jpg

 

Para maiores informações sobre como utilizar uma proteção dessas, veja o nosso artigo sobre "Ancoragens Químicas".

 

Essas são "colas" especiais e a título de curiosidade, muitas vezes são chamadas de "ancoragem química" (principalmente na Argentina).

 

Bom, vamos falar agora sobre os fixados na rocha através da expansão física de uma parte metálica. Os Chumbadores por expansão.

 

Quanto aos chumbadores por expansão, existe diversos modelos e tipos (basta ver um catalogo de fabricante), mas para nós escaladores restam basicamente duas opções de modelo : os modelos do tipo “Parabolt” e os modelos do tipo “UR”.

 

Os modelos do tipo "parabolt" são assim :

 

chapeleta04.jpg chapeleta05.gif

 

E os do tipo "UR" são assim :

 

chapeleta06.gif chapeleta07.jpg

 

Então, ao utilizar um chumbador, este deverá suportar uma carga ou força de cisalhamento (força perpendicular a sua fixação) igual ou superior a 22Kn. Então, se for um chumbador do tipo UR, o *parafuso* deve suportar essa força, e se for do tipo parabolt, a mesma coisa se aplica.

 

Com respeito aos chumbadores do tipo parabolt, existem duas formas de fixa-los na rocha :

 

chapeleta08.gif

 

O modelo apresentado no exemplo 1 e 2 é o modelo PBA da Ancora ou o TecBolt da Tecnarte (que tambem é igual ao modelo da Bonier).

 

No exemplo 1, a chapeleta é presa no *corpo*  do parabolt, no exemplo 2, a chapeleta é presa na *rosca* do parabolt.

 

Se a chapeleta  estiver apoiada na parte lisa do parabolt entra a carga é no corpo, e desta forma o conjunto suporta uma força maior.

 

Se o parabolt estiver muito no fundo e a chapeleta estiver apoiada já na parte da rosca, então o outro a força suportada pelo parabolt é menor. Essa diferença acontece pois na região da rosca a seção transversal que resiste ao cisalhamento é um pouco menor (por causa do filete da rosca).

 

O ideal é que o parabolt seja colocado de tal forma que ao colocar a arruela e a porca, esta última rosqueie até o final da rosca, assim a chapa fica apoiada só no corpo. O problema é que é preciso ter um pouco de prática para saber em qual posição inicial deve-se fazer a expansão do parabolt para que ao final da expansão o final da rosca coincida com a espessura da chapeleta, deixando para a arruela a tarefa final. A regra é :

 

Como regra geral, ao utilizar-se chumbadores do tipo Parabolt para fixar uma chapeleta, essa deve estar apoiada no *corpo* e não no filete da rosca do chumbador, para garantir dessa forma, a maior resistência possível.

 

Isso nos leva a dizer que o diâmetro *mínimo* do parafuso deve ser de 10mm (3/8"). Confiram nas tabelas abaixo :

 

Tabela dos chumbadores da Ancora

chapeleta09.jpg

 

Força de cisalhamento = força aplicada perpendicularmente ao chumbador, como se fosse uma guilhotina...

 

Notem na tabela de valores da Ancora, mostrada acima que a força necessária para o cisalhamento de um chumbador de 10mm no *corpo” é de  2138Kgf e 1484Kgf na *rosca* (exemplos 1 e 2, respectivamente)

 

Claro que o ideal seria utilizar-se a medida de 1/2" (cisalhamento no corpo de 3800KgF e na rosca de 2639KgF), ou seja, mesmo que o chumbador não fique perfeitamente colocado, com a chapeleta apoiando-se no corpo do chumbador (e sim no filete da rosca), ele suportaria quedas de valores mais elevados... claro que deve-se considerar o tempo para abrir um furo deste tamanho na rocha, o custo, o peso....

 

Tabela dos Chumbadores da Tecnarte

chapeleta10.gif

 

Já na tabela da Tecnarte, eles nem mostram a opção de prender-se a peça (a chapeleta) no corpo, e sim apenas na rosca, e apresentam a força de cisalhamento como sendo de 1731KgF (vide tabela abaixo).

 

Claro que cada caso deve ser analisado individualmente, mas como regra geral :

 

Em granito e rochas duras pode-se utilizar tanto de expansão quanto químicas. Em rochas metamórficas moles (arenito) ou frigias (fragmentáveis, tais como o quarzito) deve-se utilizar chumbadores químicos (em geral com boa profundidade).

 

Ok, já conheço os chumbadores... mas como fazer o furo na rocha ?

 

chapeleta11.jpg

 

  1. Faça um furo na rocha com 10mm de diâmetro e 50 ou 65mm de comprimento (conforme modelo). O furo deve ser feito com broca para concreto com a afiação que vem de fábrica. Recomendamos o uso de brocas tipo SDS.

  2. Introduza o chumbador montado, juntamente com a chapeleta. Será necessário bater na cabeça do chumbador, para que a presilha de expansão se ajuste ao furo realizado.

  3. Aperte o chumbador com uma chave de 9/16" (14 mm) até perceber que o chumbador está expandido e a chapeleta bem fixada.

    Obs.: Após a expansão do chumbador, é possível retirar a chapeleta se for necessário.

 

(a imagem ao lado e o texto acima foram retirados do site da Bonier, www.bonier.com.br )

 

Bom, em primeiro lugar, *não* use chapeletas ou proteções fixas "caseiras". Elas não suportam forças elevadas e colocam em risco a sua segurança e a das outras pessoas que venham a utilizar-se delas. O uso de chapeletas "caseiras" só é admissível (e ainda assim com muitas restrições) em artificiais fixos tais como, por exemplo o "teto do Baú" em São Bento do Sapucaí.

Bom... existem muitas coisas que não devem ser feitas, mas as mais críticas gostaria de citar aqui :

  • Nunca coloque uma proteção fixa ao lado de uma fenda ou onde possa ser utilizada uma proteção móvel
  • Ao colocar a proteção fixa, pense na qualidade da proteção e nas pessoas que a utilizarão no futuro. Seja responsável !
  • Use sempre "paradas" duplas ! Ou seja, duas proteções fixas, com uma certa distância entre elas, eu recomendo no mínimo 30cm de distância entre os furos das proteções. Quando um parabolt ou Spit é expandido, ele gera um "cone" de expansão que "fragiliza" a área desse cone de expansão (isso é mais crítico em rochas duras, pois pode-se criar diversos planos de clivagem). Se as proteções foram muito próximas, os cones de expansão dos chumbadores podem se sobrepor, potencializando o risco intrínseco.  Em geral o diâmetro desse cone de expansão (ou área de tensão) é cerca de 20 vezes o diâmetro do furo realizado para colocar-se o chumbador.

chapeleta12.jpg

 

 

Boas escaladas e excelentes conquistas !


 

 

 

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