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Montagem de Paradas, Equalização e coisas que NÃO devem ser FEITAS

por Davi Marski, em agosto de 2007 (e revisado em janeiro de 2013)

Pois bem... Recentemente comecei a preocupar-me com a questão da segurança... dos outros ! Com a crescente popularização da escalada, mais e mais pessoas oriundas da escalada esportiva indoor (ou mesmo do rapel) praticam a escalada esportiva em rocha ou mesmo a escalada mais tradicional (paredes de mais de uma "enfiada").

Nesse breve artigo, quero mostrar o que *NÃO* deve ser feito...Claro que não pretendo esgotar o assunto nesse breve artigo, nem abordar a questão (bem mais complexa) sobre a montagem de paradas utilizando-se equipamentos móveis... , mas espero poder dar uma contribuição sobre a assunto !

 ancoragem errada 01 ancoragem errada 02  ancoragem errada 03 

Exemplos de Paradas "de dar medo"...  mas afinal de contas, qual o problema dessas montagens ?

 

Veja o artigo sobre montagem de paradas para entender mais.

Para quem lê inglês, tem textos que eu recomendo em :

Com respeito a montagem de paradas,  apresento a seguir algumas formas incorretas de como não devem ser montadas as paradas:

Forma usual de equalizar uma parada dupla:

Parada auto-equalizável com costura direcionadoraparada auto equalizavel costura direcionadora

A montagem de uma parada auto-equalizável dessa forma, só deve ser aceita caso as proteções fixas sejam impecáveis e sem o menor risco de ruptura.

Caso haja possibilidade de falha de uma das proteções fixas (grampo ou chapeleta), o ideal é usar um triângulo bloqueado (impedindo assim o tranco adicional no mosquetão-base/mãe) ou até mesmo outra configuração, como a parada sequencial.

 

Essa forma de montar uma parada (e suas variantes) é muito comum, e também perigoso... Em caso de queda do escalador, antes que ele clipe-se à primeira proteção após a parada, o fator de queda será muito elevado (Fator 2), gerando um enorme força de impacto que será praticamente dissipada em sua totalidade na chapeleta (ou "P") no qual encontra-se a costura...

Ou seja, uma parada montada dessa forma não está equalizada, pois em caso de uma queda (antes da primeira costura após a parada) "toda" a força do impacto não será distribuída no sistema, e sim recairá sobre apenas uma proteção fixa, podendo levar todo o sistema a falhar.

Dica : Se o risco de queda for alto ou considerável para o guia, é vantajoso que o escalador, assim que chegar a parada, continue mais um pouco (se a corda "der" para tanto, obviamente) e costure a próxima proteção fixa, descendo então até a parada e já deixando a próxima "enfiada" previamente protegida com a corda e uma costura na primeira proteção após a parada, dessa forma ele já elimina o risco de um "Fator 2".

  • a parte "estreita" do mosquetão (se for um mosquetão do tipo HMS ou Pêra) deve estar na "fita"
  • "voltinha" na fita que irá ficar no mosquetão "base" (o mosquetão na extremidade do "V")
  • ângulo estreito formado entre os vértice do "V" (esse ângulo obrigatoriamente tem de ser inferior a 60 graus)

Uma ancoragem equalizada da forma descrita acima distribui as forças de forma igualitária (50% - 50%) para cada uma das chapeletas (ou "P"s).

A Segurança para o escalador (se for o caso) deve ser dada a partir do freio utilizado (ATC, Grigri, etc..), ou seja, ela *NÃO* deve ser dada a partir de alguma "costura" colocada em uma das chapeletas (ou "P"s).

A costura direcionadora é necessária pois os freios tipo "ATC" e "Oito" só funcionam com a corda vindo "de cima" (o Grigri e o Cinch funcionam com a corda vindo de qualquer direção).

Parada auto-equalizável com nó "boca-de-lobo"

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No caso em questão, estou ilustrando uma parada montada com um nó "boca-de-lobo" em uma chapeleta, mas poderia ser em um "P" que os motivos pelos quais isso está INCORRETO são os mesmos :

O nó "boca-de-lobo" diminui a resistência da fita em quase 45%.

Ou seja, uma fita que foi projetada para suportar cerca de 2200N (Newtons) de força, em nó desse tipo, quase não suportaria a metade de sua especificação...

No exemplo, a coisa é crítica ainda pelas bordas afiladas de uma chapeleta... portanto, sem maiores comentários...

arada auto-equalizável *sem* a volta na fita

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Parece tudo em ordem, certo ? O que acontece se uma chapeleta (ou grampo) falha ?

Pois é... tudo errado... o escalador esqueceu-se de dar uma volta na fita...

Se qualquer uma das chapeletas (ou ""P") apresentar alguma falha, toda parada desmonta-se e não oferece-se qualquer tipo de segurança.

Parada montada com o "Triângulo Americano" ou "Triângulo Americano da Morte"

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Não, eu não sei a origem desse nome... mas esse tipo de equalização é mundialmente conhecido por esse nome.

Não irei entrar nos detalhes das forças envolvidas na fita e nas proteções, mas isso JAMAIS deve ser feito, essa parada *NÃO*  está equalizada, as forças *NÃO* estão distribuidas 50% - 50% entre as proteções e na verdade, o escalador está em vias de em caso de queda, provocar um grave acidente.

Aqui no meu site mesmo tenho um artigo falando a respeito das forças envolvidas na equalização convencional e no triângulo americano.

Para maiores infos, consulte : http://en.wikipedia.org/wiki/American_death_triangle

Ângulo (graus)

Percentual  (V)

Percentual (triângulo americano)

0

50%

70%

60

60%

100%

90

70%

130%

120

100%

190%

140

150%

290%

150

190%

380%

 

Parada montada com costuras

coisas7notok

Esse é o tipo de parada costumeiramente montada para escalada em "top-Rope", nesses casos (e apenas nesses casos), se o ângulo for estreito, é algo "tolerável".

O ângulo no "V" deve ser o mais estreito possível.. confira a tabela anterior...

Entretanto, essa forma de equalização JAMAIS deve ser utilizada em escaladas com mais de uma "enfiada" ou "esticão", assim como não deve ser utilizada em outras situações.

No exemplo da imagem ao lado, o mosquetão "Pêra" foi montado no lugar onde estaria uma eventual corda...

Em tempo: nesse tipo de montagem, o ideal é que os gatilhos costuras (por onde irá passar a corda) estejam virados para lados opostos. E outra coisa, esse tipo de montagem diminui a vida útil da corda...

 

Com respeito a "P"s, nunca passe um nó "boca-de-lobo" por dentro de um olhal de um "P", pois além da perda de resistência da fita em 45%, pode haver alguma rebarba de solda ou mesmo algum ponto de ferrugem que literalmente pode vir a cortar a fita...

A forma correta de clipar-se (para fins de ancoragem ou parada) a um "P" é idêntica a de chapeletas :com o uso de mosquetões.

alt  coisas10

Como quase toda regra tem excessão... caso o grampo "P" esteja com o olhal afastado da rocha, você *não* deve clipar-se ao olhal (pois isso apenas iria aumentar a força de TORQUE no sistema), e sim tentar DIMINUIR esse torque, nesse caso, utilizando-se de um nó boca-de-lobo o mais próximo possível da rocha....

coisas11

Jamais passe uma corda ou cordim ou cordelete diretamente por dentro de uma chapeleta. O ângulo é muito agudo (nas bordas da chapeleta) e facilmente pode cortar a corda durante um simples rapel. E mesmo que a corda não seja rompida, certamente suas fibras internas (em sua alma) sofrerão danos (ainda que não palpáveis) e a corda não deve ser mais utilizada para escalada.

DICA : existem chapeletas específicas para isso, com argolas, com bordas suavizadas (tipo as chapeletas desenvolvidas pela Bonier), ou até mesmo os grampos "P", nas quais as cordas podem ser passadas por dentro do olhal sem maiores danos. Lembre-se de verificar se não há rebarbas de solda (ou ferrugem) por dentro de um olhal de um grampo"P" antes de fazer um rapel passando a corda por dentro do grampo.

coisas12

 

 

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